terça-feira, 16 de junho de 2026

Duas previsões acertadas: PETR3. "Cravamos" as máximas da ação no período da guerra do Irã (que felizmente está terminando).

   Acertamos duas novas previsões: as máximas da ação ordinária da Petrobras (PETR3 - Petrobras ON). A guerra entre Irã e EUA começou no dia 28 de fevereiro deste ano. E deve, felizmente, terminar com a confirmação da assinatura de um Acordo de Paz, na sexta-feira próxima. Segundo as recentes declarações de Donald Trump e Emanuelle Macron, o acordo já foi assinado eletronicamente. Falta a confirmação, que deve ocorrer na sexta-feira. 

   Nós fizemos um relatório de valuation e análise fundamentalista da PETR3 no último dia 04 de março. E nossos modelos previram que a ação subiria e atingiria, no mínimo, valores entre  R$ 53,21 e R$ 56,41, conforme apontaram os modelo de Damodaran (1997) e o nosso LAFI Model    

   Reproduzimos novamente o gráfico com as estimativas que publicamos aqui no dia 04 de março. 


   
   Como observamos no gráfico, o modelo de Damodaran (1997) apontou que PETR3 subiria de R$ 44,38 (preço de fechamento em 03/03/2026) para um valor intrínseco de R$ 53,21. E o nosso LAFI model previu uma alta maior: para R$ 56,41.

   Ambos acertaram, tendo em vista a margem de erro de R$ 2,53 (para mais ou para menos). Sendo que o modelo de Damodaran (1997) apresentou elevado grau de precisão. 

  Os dois gráficos seguintes mostram que a ação fechou em R$ 53,80, no dia 29/04/2026 e atingiu R$ 54,06 logo no dia seguinte. Essas foram as duas cotações máximas da ação no período da guerra entre Irã e EUA, que, esperamos, tenha terminado com a assinatura do Acordo de Paz,  no último dia 14/06.

   Ninguém, em sã consciência, fica satisfeito com uma guerra (o pior dos males provocados por seres humanos). Mas, em períodos de elevada incerteza, é preciso reprogramar a portfolio de investimentos, para diminuir o risco de perdas e preservar o patrimônio.

 Nesse sentido, acertamos ao prever as maiores altas da PETR3 no período mencionado. E esperamos que essas estimativas de valuation tenham sido úteis para quem nos acompanha aqui no blog, no Instagram e no nosso site do LAFI/UFPEL.  



   Considerando que, com o término da guerra, as cotações do barril de petróleo do tipo Brent devem cair mais e que o ingresso de dólares no Brasil também deve diminuir (em razão das menores exportações da Petrobras e da melhora do perfil dos títulos norte-americanos), em breve faremos uma nova análise da PETR3 e PETR4. 

   Essa revisão da análise também se faz necessária devido aos novos demonstrativos publicados pela estatal e referentes ao segundo trimestre de 2026. A análise anterior considerou os demonstrativos do primeiro trimestre, pois os do segundo não estavam disponíveis à epoca da redação do relatório. 

   Ressaltamos que o LAFI/UFPEL não faz recomendações de investimentos. Apenas divulgamos nossas estimativas de valuation, elaboradas com modelos consagrados pela literatura de finanças e com técnicas de machine learning aplicadas às finanças computacionais. 

    Nosso grupo é formado pelos seguintes pesquisadores:

  • Clarissa de Souza – departamento financeiro da Safras & Cifras e acadêmica do Curso de Ciências Econômicas da UFPEL.
  • Flávio de Vasconcellos Corrêa – economista e engenheiro da UFPEL. Mestre em Economia Aplicada (PPGOM/UFPEL).
  • Henrique Barros - acadêmico do Curso de Ciências Econômicas da UFPEL. 
  • Isabelle Braum de Mello – acadêmica do Curso de Ciências Econômicas da UFPEL.
  • Luis Fernando Tavares Braga - Professor e pesquisador do Departamento de Economia (Decon/UFPEL). Doutor em Economia (PUC/RS). 
  • Prof. Marcelo de Oliveira Passos – Coordenador do LAFI. Professor e pesquisador do DECON/PPGOM/UFPEL. Doutor em Desenvolvimento Econômico pela UFPR. Estágio pós-doutoral em Economia Computacional no Research Unit on Complexity and Economics do ISEG/Universidade de Lisboa.
  • Mateus Rafael da Silva Fernandes - acadêmico do Curso de Ciências Econômicas da UFPEL. 

quarta-feira, 10 de junho de 2026

Acertamos a previsão sobre a Embraer ON NM (EMBJ3). Isso é ótimo! Mas é hora de um novo relatório sobre ela.

HISTÓRICO, ANÁLISE DO MERCADO E PONTOS FORTES E FRACOS

A Embraer foi fundada em 1969 como empresa estatal brasileira voltada ao desenvolvimento da indústria aeronáutica nacional. Foi privatizada em 1994 e passou por profunda reestruturação, tornando-se uma das maiores fabricantes de aeronaves do mundo.

Hoje, a companhia atua em quatro segmentos principais: (i) Aviação Comercial (família E-Jets e E2); (ii) Aviação Executiva (Phenom e Praetor); (iii) Defesa & Segurança (KC-390 Millennium, A-29 Super Tucano); e (iv) Serviços e Suporte.

A empresa é líder global no segmento de jatos comerciais de 70 a 150 assentos. Trata-se de um nicho intermediário entre os grandes fabricantes como Airbus e Boeing.

Em relação ao seu posicionamento estratégico no setor aéreo, a empresa domina o segmento de aeronaves regionais modernas, tendo como seu principal produto as aeronaves da família  E2, que competem com o Airbus A220 e os modelos de menor porte da Boeing 737. Porém, os E2 possuem a vantagem competitiva de ter maior eficiência operacional para rotas de média densidade.

No segmento de Defesa, a Embraer vem crescendo com os seguintes produtos principais: 

  • O KC-390, que vem conquistando diversos clientes internacionais, sendo adotado por países da  OTAN.
  •  A parceria industrial com a sueca Saab no programa dos caças Gripen vem se ampliando satisfatoriamente.
  • Como investimento na mobilidade aérea urbana, a subsidiária Eve Air Mobility é um projeto de longo prazo e considerável nível de risco. Todavia, o projeto eVTOL ("carro voador") já realizou vôos de teste e possui milhares de intenções de compra.

As últimas notícias sobre encomendas da empresa revelam que ela re recebeu pedido adicional de 15 aeronaves E195-E2 e direitos de compra para mais 15 unidades. Além disso, o programa E2 ultrapassou a marca de 500 encomendas e a companhia aérea escandinava SAS anunciou a compra de 45 aeronaves E195-E2, com opção para mais 10 aeronaves. O valor estimado dessa operação é superior a  R$ 20 bilhões.

Seguindo sua estratégia de expansão global, a Embraer segue negociando a entrada dos E2 no mercado chinês, que é um dos que possui maior potencial de crescimento da aviação mundial.

E continuando no setor de defesa, há possibilidades comerciais de expansão das encomendas para o exterior do KC-390 e do Super Tucano.

Como pontos fortes, a empresa apresenta: 

  • Carteira de pedidos recorde - product backlog (lista mestre do que precisa ser feito nos produtos ao longo dos próximos anos) acima de US$ 26 bilhões. Isto indica vários vários anos de produção contratada.
  • Liderança em nicho específico - pouca concorrência direta na faixa de 70–150 assentos.
  • Diversificação - receitas provenientes de: aviação comercial; aviação executiva; defesa e serviços.
  • Forte posição tecnológica - é uma das poucas fabricantes globais capazes de desenvolver aeronaves completas.
  • Crescimento internacional - expansão na Europa, América do Norte, Oriente Médio e Ásia.
Seus pontos fracos e riscos: 
  • Dependência do ciclo econômico do Brasil e do mercado externo - A demanda por aeronaves é altamente sensível ao crescimento global.
  • Cadeia de suprimentos - a indústria aeronáutica ainda enfrenta gargalos de componentes e motores.
  • Exposição cambial - receitas são majoritariamente em dólar, mas parte relevante dos custos é em reais.
  • Forte competição - concorrência de: Airbus, Boeing e COMAC (Commercial Aircraft Corporation of China), principalmente. 
  • Risco de execução - aumento da produção exige capacidade industrial e logística adequada.


ESTIMATIVAS DE VALUATION

No dia do trabalho (1/5/26) nós publicamos no nosso Instagram as estimativas de valuation da ação ordinária da Embraer (EMBJ3). Calculamos o preço-teto dela em torno de R$ 66,00. Fizemos isso quando ela tinha fechado em R$ 77,04 (em 30/6/26). 

Acertamos a previsão apenas 18 dias após. No dia 19/5/26 ela fechou em R$ 68,64.   Essa cotação ficou R$2,00 acima da nossa previsão, o que está dentro da margem de erro. 

De lá para cá, foram divulgados os demonstrativos do 2º trimestre da empresa. Portanto, seus fundamentos mudaram e tivemos então que recalcular as estimativas de valuation. 

Após computarmos seis modelos de valuation por machine learning, as novas estimativas para a EMBJ3 são as seguintes: 


  Como se vê, os modelos apresentaram resultados um tanto diversos.  Nosso LAFI Model, contudo, apontou que EMBJ3 está no seu preço-teto (valor intrínseco ou valor justo). A ação pode subir, ou cair. Mas o provável é que não suba e nem caia muito. Ela pode oscilar em torno do patamar de R$ 72,00 por algum tempo (com uma margem de erro de R$ 2,47, para cima ou para baixo).

  Cabe ressaltar que o LAFI/UFPEL não dá dicas ou recomenda investimentos.   Apenas divulgamos os resultados de nossas pesquisas sobre métodos de precificação consagrados pela literatura internacional de finanças.
 
  Incluímos também um método bem menos rigoroso do que os outros nossos seis modelos usuais: a fórmula simples de Décio Bazin (ver gráfico) .  Ela foi incluída porque é muito utilizada por analistas do mercado de capitais. 

ANÁLISE FINANCEIRA

O ano de 2024 foi um dos melhores da história da empresa. A receita cresceu cerca de 21% em relação ao ano anterior, atingindo o maior nível da história da companhia. O lucro líquido ajustado atingiu aproximadamente R$ 2,6 bilhões, representando crescimento de cerca de 680% sobre 2023.

    • Receita Líquida: US$ 6,4 bilhões
    • EBIT Ajustado: US$ 708 milhões
    • Margem EBIT: 11,1%
    • Fluxo de Caixa Livre Ajustado: US$ 676 milhões
    • Carteira de Pedidos (Backlog): recorde histórico
    • Aeronaves Entregues: 206

Em relação aos resultados do primeiro trimestre de 2025, podemos afirmar que a companhia soube manter o seu  ritmo de crescimento, mesmo tendo em vista que o primeiro trimestre, por questões sazonais, costuma ser mais fraco na indústria aeronáutica. Isso ocorre porque as entregas se concentram no segundo semestre.

    • Receita: US$ 1,103 bilhão
    • Crescimento anual: +23%
    • EBIT Ajustado: US$ 62 milhões
    • Margem EBIT: 5,6%
    • Entregas: 30 aeronaves
    • Backlog: US$ 26,4 bilhões (novo recorde histórico)

Em termos de liquidez, a Embraer melhorou nos últimos anos. Apresentou forte geração de caixa em  2024, além de um fluxo de caixa livre ajustado de aproximadamente US$ 676 milhões.

Nesse sentido, podemos avaliar que a liquidez da companhia é bem razoável, sendo que a Embraer possui recursos suficientes para financiar operações e investimentos de curto prazo.

A estrutura de capital evoluiu consideravelmente. No tocante ao endividamento, ela alongou o perfil de seus compromissos com capitais de terceiros, fazendo uma emissão bem-sucedida de bônus internacionais de 10 anos. Assim, apesar do fluxo de caixa negativo no primeiro trimestre de 2025 (normal devido ao ciclo de produção), a empresa relatou que isso  foi consequência do aumento dos estoques para suportar entregas futuras. A razão dívida líquida/EBITDA aumentou 0,5 vezes no primeiro trimestre de 2025 (havia crescido 1,8 vezes um ano antes). O prazo médio da sua dívida foi estendido para 6,3 anos, o que a coloca em posição relativamente cômoda, considerando os benchmarks industriais. Nesse sentido, podemos considerar seu endividamento como moderado e seu risco financeiro reduzido. 

Analisando agora  a rentabilidade, a empresa áerea tem evoluído também nesse quesito. Em 2023, a sua margem EBIT ajustada era de cerca de 8%, expandindo-se para 11,1% em 2024. Novamente em 2023, o lucro ajustado era de 333 milhões de reais. E em 2024, ele atingiu 2,6 bilhões. Um crescimento  bastante expressivo motivado por uma maior maior escala de produção, devido ao crescimento do mercado de aviação executiva, a expansão da área de defesa, a rentabilidade da área de serviços e aos recebimentos relacionados ao acordo arbitral com a Boeing.

Portanto, a combinação de carteira recorde de pedidos, melhora operacional, redução do endividamento, expansão internacional e fortalecimento das áreas de defesa e mobilidade aérea urbana coloca a Embraer em uma posição estratégica favorável para os próximos anos. O principal desafio será converter esse enorme backlog em entregas e lucros mantendo margens elevadas e evitando gargalos de produção.

Com base nos dados do relatório anual de 2024 e da divulgação dos demonstrativos do primeiro trimestre da Embraer, os principais indicadores podem ser resumidos da seguinte forma:

1. Índices de Liquidez

A liquidez mede a capacidade da empresa honrar suas obrigações de curto prazo.

    • Liquidez Corrente (Current Ratio) -  1,50x (2023) vs 1,48x (2024)
    • Liquidez Seca (Quick Ratio) -  0,61x (2023)  vs   0,50x (2024)

Portanto, em 2024, para cada R$ 1,00 de dívida de curto prazo, a Embraer possuiu aproximadamente R$ 1,48 em ativos circulantes. Uma situação considerada como saudável, dado que uma liquidez corrente acima de 2,0 seria excessiva para uma empresa que tem que manter elevados níveis de investimento em capital fixo e salários elevados. 

Considerando a liquidez seca de 0,50x em 2024, podemos afirmar que, ao excluirmos os estoques, a liquidez cai significativamente, algo comum na indústria aeronáutica, pois grande parte do capital está investida em aeronaves em produção e componentes.

2. Índices de Endividamento

A dívida Líquida / EBITDA, que é um dos indicadores mais acompanhados pelo mercado, mostrou uma redução de 1,8x (1º trim/24) para 0,5x (1º trim/25), o que é uma melhora bastante expressiva e que leva a situação de dependência de capitais de terceiros da empresa a um nível bastante confortável. E isto pode ser atestado pela queda da sua dívida líquida de 2,7 bilhões de reais em 2023, para 371 milhões em 2024. Ou seja, a empresa praticamente eliminou sua dívida líquida em 2024. E isto é um melhores perfis de dívida financeira da história recente da companhia.

3. Índices de Rentabilidade

A margem EBIT Ajustada cresceu de cerca de 8% para 11,1%, de 2023 para 2024. Esse crescimento deveu-se ao aumento das entregas; à melhora do mix de produtos; ao crescimento da divisão de defesa e da aviação executiva.

Já a margem EBITDA teve um aumento de cerca de 9% (2023) para 14% (2024), com o EBITDA ajustado evoluindo de US$ 492 milhões (2023) para US$ 922 milhões (2024), ou seja, uma expansão que evidencia forte ganho operacional.

O ROE, em 2024, foi de 8,5%, o que pode ser visto como um sinal de recuperação em relação aos anos anteriores, mas ainda é um tanto abaixo de empresas industriais de rentabilidade realmente positiva (na faixa de 18% a 25%).    

A margem líquida, em 2024, foi de 5,4%, o que é satisfatória para uma fabricante de aeronaves. 

Já o retorno sobre ativos (ROA), foi de apenas 3,9%. O que não é preocupante, pois é um ROA normal para empresas altamente intensivas em capital fixo, como no caso da indústria aeronáutica. 

A indústria aeronáutica é altamente intensiva em capital, o que naturalmente reduz o ROA.

Portanto, resumidamente, podemos considerar a EMBRAER como tendo: 

    • Liquidez adequada.
    • Endividamento muito baixo.
    • Forte geração de caixa.
    • Crescimento das margens.
    • Backlog recorde superior a US$ 26 bilhões.
    •  Perspectiva positiva para 2026–2027.

A empresa ainda pode evoluir seu ROE, que permanece abaixo dos níveis observados em empresas industriais de excelência, mas tende a subir caso a companhia continue transformando sua carteira recorde de encomendas em lucro líquido recorrente.


Duas previsões acertadas: PETR3. "Cravamos" as máximas da ação no período da guerra do Irã (que felizmente está terminando).

   Acertamos duas novas previsões: as máximas da ação ordinária da Petrobras (PETR3 - Petrobras ON). A guerra entre Irã e EUA começou no dia...