terça-feira, 7 de abril de 2026

Mais uma previsão acertada: antecipamos a alta das ações da WEG S.A. ON N1 (WEGE3)

Caro leitor, é com orgulho que informamos que o LAFI/UFPEL acertou novamente uma previsão feita com bastante antecedência. 

  No dia 12 de agosto do ano passado (há quase 8 meses atrás, portanto), publicamos que a ação ordinária da WEG (WEGE3) poderia subir 27,41% (conforme o LAFI model, que então se chamava modelo de Passos, pois o LAFI ainda não tinha sido criado). 

  Isto está nos dois gráficos de barras que republicamos no final deste artigo (junto com a íntegra do texto, que pode ser acessado aqui). Neles, o leitor pode ver que os outros cinco modelos também apontavam estimativas idênticas, considerando a margem de erro. 

  Assim, nós dissemos naquela data que a ação poderia subir de R$ 36,61 (que foi o preço de fechamento da ação em 12/08/2025) para um intervalo com valor mínimo de R$ 46,61 (cálculo do modelo de Damodaran) e máximo de R$ 46,70 (conforme os modelos de Miles & Ezzell e Harris, Pringle & Ruback). Resumindo: previmos que quem comprasse a ação lucraria cerca de R$ 10,00 por ação. 

  Dito e feito: ela subiu e fechou em R$ 46,35 no dia 20 de janeiro de 2026 (gráfico de linha abaixo). 




E ela subiu mais depois disso, mas voltou a cair e atingir R$ 46,80 no dia 11 de março de 2026 (gráfico de linha seguinte):

 


  Republicamos agora a íntegra do texto de 12 de agosto do ano passado. Nele estão também os dois gráficos de barras com as estimativas de valuation. Nós mantivemos os negritos do texto original. 

"Os preços-alvos da ação WEGE3, conforme as estimativas dos modelos citados, foram os que estão no gráfico a seguir. A partir dele, temos que os valores mais conservadores foram o do modelo de Damodaran (R$ 46,61) e o do modelo de Passos (R$ 46,64). 

Estas estimativas podem ser traduzidas como sendo um lucro potencial (upside) de R$ 10,00 por ação, pelo modelo de Damodaran e de R$ 10,03 pelo modelo de Passos. Todavia, em termos práticos, estes valores são estatisticamente iguais, pois há uma  margem de erro de 2 pontos porcentuais para cima ou para baixo. 


Estes preços-alvos equivalem, de acordo com o segundo gráfico, a um upside (potencial de alta) de 27,33%, de acordo com o modelo de Damodaran, e de 27,41%, pelo modelo de Passos. Os demais modelos foram um pouco mais otimistas, mas também geraram estimativas idênticas, considerando a margem de erro. 

Finalmente, convém ressaltar que as ações da WEG sofreram quedas recentes em razão das incertezas geradas pelos anúncios de tarifas impostas ao Brasil por Donald Trump. E que a cotação máxima de WEGE3, nas últimas 52 semanas, foi R$ 57,65, um nível acima, portanto, das estimativas geradas por estes modelos de valuation. 

Isto reforça, de certa maneira, que este ativo se encontra em baixa e, em razão de seus fundamentos, é possível esperar uma alta futura." 

 Ressaltamos, contudo, que não fazemos recomendações de investimentos. Apenas divulgamos os resultados de nossas pesquisas de avaliação (valuation), por machine learning, das ações das 10 maiores empresas da B3. Não temos vínculo com nenhuma instituição financeira ou empresa. Nosso foco é promover a pesquisa independente e puramente acadêmica em finanças computacionais/quantitativas.

   Nosso grupo é formado pelos seguintes pesquisadores:

  • Clarissa de Souza – departamento financeiro da Safras & Cifras e acadêmica do Curso de Ciências Econômicas da UFPEL.
  • Profª Daniela Miguel Coelho – Professora e pesquisadora do Departamento de Economia e do Programa de Pós-Graduação em Organizações e Mercados da Universidade Federal de Pelotas (DECON/PPGOM/UFPEL). Doutora em Ciências Contábeis pela Unisinos.
  • Flávio de Vasconcellos Corrêa – economista e engenheiro da UFPEL. Mestrando em Economia Aplicada no PPGOM/UFPEL.
  • Isabelle Braum de Mello – acadêmica do Curso de Ciências Econômicas da UFPEL.
  • Prof. Marcelo de Oliveira Passos – Coordenador do LAFI. Professor e pesquisador do DECON/PPGOM/UFPEL. Doutor em Desenvolvimento Econômico pela UFPR. Estágio pós-doutoral em Economia Computacional no Research Unit on Complexity and Economics do ISEG/Universidade de Lisboa.

 

segunda-feira, 23 de março de 2026

Nossos modelos acertaram outra vez. Previmos o quanto a ação ITUB3 iria cair.

   Novamente acertamos uma previsão sobre uma das ações mais importantes da B3: a do Itaú Unibanco ON N1 (ITUB3). 

  Quem realmente conhece modelos quantitativos de valuation de ações, sabe o quanto é mais difícil avaliar ações de bancos e seguradoras do que avaliar empresas não-financeiras. É o que dizem Koller, Goedhart e Wessels (2022), no capítulo sobre valuation de bancos neste já clássico livro.  A obra é patrocinada pela Mckinsey, uma das principais consultorias em finanças do mundo e a empresa da qual Koller é sócio.  

  A equipe do LAFI rodou previsões de valuation por cinco dos mais conhecidos modelos de precificação de ações do mundo (ver figura ). E também fizemos uma outra estimativa com o nosso modelo de valuation por machine learning: o LAFI Model. 

  Assim, nós mensuramos aqui, com mais de 2 meses de antecedência, a queda desta ação. E provamos que não somente somos capazes de predizer quantitativamente a alta de uma ação (upside), mas também sabemos medir seu potencial de queda (downside). 

  A análise foi postada aqui no blog em 12 de fevereiro deste ano. Ou seja, há 2 meses e 11 dias atrás. Republicamos novamente o gráfico daquela postagem com as estimativas de valuation dos referidos modelos. 

         

   Como o gráfico revela, todos os modelos previram um preço-alvo de cerca de R$ 38,00. E o nosso LAFI Model apontou uma estimativa de R$ 43,31. Portanto, predizemos que ITUB3 cairia entre o limite mínimo de R$ 38,00 e o máximo R$ 43,31. Quando rodamos os modelos, a ação estava em R$ 45,60, como o gráfico também evidencia.

  Pois bem, o valor previsto pelo LAFI Model foi atingido no dia 23 de fevereiro, isto é, apenas 11 dias após publicarmos nossa análise. 

  Mas, tal como os outros modelos descritos no gráfico acima anteciparam, ITUB3 continuou a cair e fechou em R$ 40,49 no dia 18 de março de 2026 (ver gráfico a seguir, extraído do site Fundamentus). 

  Assim, já acertamos este valor considerando tanto a margem de erro (R$ 1,92 para cima ou para baixo), quanto o intervalo de previsão (tal como mencionamos: uma queda de preço-alvo que ficaria entre R$ 38,00 e R$ 43,31).


  Ressaltamos, contudo, como sempre fazemos, que nosso foco não é dar dicas ou sugestões de investimentos. O que fazemos é simplesmente divulgar os resultados de nossas pesquisas. Aliás, elas são feitas com o maior rigor possível e sem nenhum tipo de conflito de interesses, dado que nosso propósito é puramente acadêmico. 

   Nosso grupo é formado pelos seguintes pesquisadores:

  • Clarissa de Souza – departamento financeiro da Safras & Cifras e acadêmica do Curso de Ciências Econômicas da UFPEL.
  • Profª Daniela Miguel Coelho – Professora e pesquisadora do Departamento de Economia e do Programa de Pós-Graduação em Organizações e Mercados da Universidade Federal de Pelotas (DECON/PPGOM/UFPEL). Doutora em Ciências Contábeis pela Unisinos.
  • Flávio de Vasconcellos Corrêa – economista e engenheiro da UFPEL. Mestrando em Economia Aplicada no PPGOM/UFPEL.
  • Isabelle Braum de Mello – acadêmica do Curso de Ciências Econômicas da UFPEL.
  • Prof. Marcelo de Oliveira Passos – Coordenador do LAFI. Professor e pesquisador do DECON/PPGOM/UFPEL. Doutor em Desenvolvimento Econômico pela UFPR. Estágio pós-doutoral em Economia Computacional no Research Unit on Complexity and Economics do ISEG/Universidade de Lisboa.



quarta-feira, 4 de março de 2026

Com a guerra no Irã, o petróleo ficou em alta e a ação PETR3 (Petrobras ON) subiu. Mas será que ela pode subir ainda mais?


Histórico da empresa, situação financeira e de mercado

A Petrobras é a maior petroleira do Brasil e uma das principais empresas de energia da América Latina. A estatal foi fundada em 1953. Desde o início desempenhou um importante papel na política energética nacional. Consolidou sua atuação na exploração e produção de petróleo e gás, com destaque para o seu foco no pré-sal — uma dos mais relevantes bacias petrolíferas do mundo.

Em relação ao seu posicionamento estratégico no Brasil, podemos destacar:

Que a Petrobras domina a exploração e produção de petróleo e gás no Brasil e tem participação relevante no refino e transporte. O pré-sal já responde por grande parte de sua produção, com baixos custos de extração e bom potencial de crescimento.

A empresa é um ator importante no mercado de combustíveis, influenciando preços internos e políticas de oferta. Isso a torna estratégica para a segurança energética do Brasil.

Já em relação à sua atuação internacional, a Petrobras compete com grandes petroleiras internacionais, especialmente no segmento de produção offshore de águas profundas. 
Apesar de menos diversificada globalmente que gigantes como ExxonMobil ou Shell, a empresa tem grande relevância em mercados emergentes e mantém produtos negociados internacionalmente.

Em termos das métricas de rentabilidade, liquidez e endividamento, nos últimos anos a Petrobras apresentou consistência nos seus resultados operacionais e financeiros:

Em 2024, a empresa registrou um lucro líquido de R$ 36,6 bilhões, com Operating Cash Flow de R$ 204 bilhões, gerando caixa robusto apesar de um cenário de preços de petróleo volátil.

Em 2023, alcançou seu segundo maior lucro histórico (R$ 124,6 bilhões), acompanhado de elevado EBITDA e fluxo de caixa operacional.

Trimestralmente, no 3T de 2025, reportou lucro líquido de R$ 32,7 bilhões e forte Operating Cash Flow.

Até fim de 2024, a empresa tinha caixa ajustado de US$ 8,1 bilhões e free cash flow de US$ 23,3 bilhões, demonstrando capacidade de operar e financiar suas atividades.

A dívida líquida caiu ao longo de 2024-25 e ficou estável em torno de cerca de US$ 59-60 bilhões no 3T 2025, com métricas como Dívida Líquida/EBITDA de cerca de 2x, indicativo de alavancagem controlada.

Margens líquidas e operacionais variaram com os ciclos de preços do petróleo, mas produziram resultados sólidos, em linha com grandes petroleiras.

A eficiência do pré-sal e a alavancagem operacional da produção offshore sustentam margens competitivas globalmente.

Estimativas de Valuation pelos nossos modelos de machine learning

Com as altas recentes da B3, PETR3 registrou valorizações expressivas. Subiu 3,86% neste mês de março; 12,10% em apenas 30 dias; 21,14% em 30 dias e 24,60% em 12 meses, considerando a data de 03/03/2026, quando atingiu o preço de R$ 44,38.

Ainda assim, esta ação continua apresentando considerável upside (potencial de lucro) e – levando em conta a margem de erro dos nossos modelos de valuation por machine learning – todos eles mostraram que PETR3 ainda está barata. Com o cenário internacional de guerra no Oriente Médio, não será surpresa se este ativo atingir rapidamente o seu valor intrínseco, calculado com base nos relatórios contábeis de 30/09/2025, os mais recentes divulgados pela petroleira.

Como mostramos na figura 1, todos os modelos de valuation que computamos evidenciam que a ação está com cotação de fechamento abaixo dos seus valores intrínsecos estimados. A maioria dos modelos mais tradicionais e utilizados pela literatura de valuation de ações apontaram valores intrínsecos acima de R$ 56,00. O nosso LAFI Model também aponta uma estimativa de preço-alvo de R$ 56,41. Apenas o influente modelo de Damodaran (1994), conhecido por ser prudente e conservador nas previsões, registrou um valor intrínseco menor de R$ 53,21 (que mesmo assim se encontra R$ 8,83 acima da cotação de fechamento de R$ 44,38, registrada em 03/03/2026).

Ao observarmos a figura 2, notamos que o citado modelo de Damodaran (1994) registrou o menor upside para PETR3, que foi estimado em 19,89%. O nosso LAFI Model estimou um upside de 27,10% e a projeção mais otimista foi a do modelo de Fernández (2004 e 2008), que registrou 44,42%. De qualquer modo, todos os modelos geraram upsides positivos. Em nossa perspectiva, o cenário de turbulência no mercado mundial de petróleo pode acelerar a valorização da ação e fazer com que ela chegue rapidamente ao seu valor intrínseco mais conservador, isto é, o papel pode chegar a exibir uma alta de 19,89%, conforme prevê o modelo de Damodaran.







Capacidade de Pagamento de Dividendos e de geração de fluxos de caixa


A Petrobras tem uma política de remuneração acionária transparente, vinculada à geração de caixa e ao controle de dívida:

Em 2024, a empresa pagou R$ 102,6 bilhões em dividendos, sendo cerca de R$ 37,9 bilhões para o governo brasileiro.

Em 2025, aprovou pagamento de R$ 12,16 bilhões em dividendos alinhados à política de distribuição de 45% do free cash flow.

No 1º trimestre de 2025, declarou cerca de US$ 2,1 bilhões em dividendos, apesar de lucros impactados por efeitos não operacionais em alguns períodos.

Portanto, a empresa tem histórico de pagamento consistente de dividendos, com rendimentos atrativos para acionistas, embora a sustentabilidade dependa da dívida e das prioridades de investimento.

A companhia tem gerado fluxos de caixa operacional robustos, o que é fruto do elevado nível de produção própria e da obtenção de expressivas receitas de exportação:

A forte geração de caixa operacional em 2023-2025 (centenas de bilhões de reais anuais) demonstra a base de geração sustentável de recursos para reinvestimento, amortização de dívida e pagamento de dividendos.

O foco em exploração de pré-sal, com baixo custo de produção e maior rendimento quando os preços internacionais sobem, reforça essa capacidade de geração de caixa ao longo do tempo.

Potencial de Valorização das Ações com a alta recente do Petróleo

O preço do petróleo é um fator-chave de valorização das ações da Petrobras (PETR3/PETR4):

Se o barril do tipo Brent subir, a rentabilidade da produção e os fluxos de caixa melhoram, favorecendo múltiplos de avaliação e potencial valorização das ações.

Conflitos geopolíticos ou tensões em regiões produtoras do Oriente Médio (por exemplo, Irã ou conflitos regionais) tendem a elevar os preços de petróleo, o que pode impulsionar o valor de ativos ligados a exploração e produção. (Contexto do mercado global — eventos geopolíticos tipicamente elevam preços do Brent e WTI, beneficiando petrolíferas integradas).

Risco de interferência política

Todavia, a empresa historicamente tem sido sujeita a pressões políticas vindas sobretudo do governo:

A operação Lava Jato revelou um grande esquema de corrupção envolvendo políticos e executivos da Petrobras, com impactos profundos na governança e confiança de investidores.

Mudanças estratégicas e políticas de preço muitas vezes estiveram associadas a decisões políticas (ex.: pressões para segurar preços de combustíveis em anos eleitorais).

Analistas e agências de risco apontam que interferência política continua sendo um dos maiores riscos para a Petrobras, afetando decisões de gestão, estratégia, política de dividendos e percepção de risco dos investidores.

Autoridades da empresa negam intervenção direta, mas o tema é constantemente debatido no mercado.

A intervenção governamental pode afetar a tomada de decisão técnica, prejudicar a confiança dos investidores e introduzir volatilidade nas ações — especialmente em períodos eleitorais ou de política de preços de combustíveis.

Histórico Recente e Perspectivas

Produção e resultados operacionais recordes em 2023-24, com foco em pré-sal.

Dívida reduzida em relação aos níveis históricos e geração de caixa sólida.

Petrobras aprovou planos de negócios 2026-2030, com foco em disciplina de capital, eficiência e equilíbrio entre investimentos, dívida e retorno ao acionista.

A empresa também busca diversificação no segmento de energia, investindo em projeto de energias renováveis e transição energética, inclusive acordos para entrar no mercado solar.

Os desafios da empresa são: (i) Manter equilíbrio entre pagamento de dividendos e reinvestimento em exploração e energia de baixo carbono; e (ii) Mitigar riscos políticos sem comprometer eficiência e governança, 

Finalmente, cabe ressaltar que o LAFI não faz recomendações de investimentos. Nesse sentido, nossas análises destinam-se apenas à divulgação de nossos resultados de pesquisa sobre mercado de ações e valuation.

Quem somos nós?

Nosso grupo é formado pelos seguintes pesquisadores:Clarissa de Souza – departamento financeiro da Safras & Cifras e acadêmica do Curso de Ciências Econômicas da UFPEL.

  • Profª Daniela Miguel Coelho – Professora e pesquisadora do Departamento de Economia e do Programa de Pós-Graduação em Organizações e Mercados da Universidade Federal de Pelotas (DECON/PPGOM/UFPEL). Doutora em Ciências Contábeis pela Unisinos.
  • Flávio de Vasconcellos Corrêa – economista e engenheiro da UFPEL. Mestrando em Economia Aplicada no PPGOM/UFPEL.
  • Isabelle Braum de Mello – acadêmica do Curso de Ciências Econômicas da UFPEL.
  • Prof. Marcelo de Oliveira Passos – Coordenador do LAFI. Professor e pesquisador do DECON/PPGOM/UFPEL. Doutor em Desenvolvimento Econômico pela UFPR. Estágio pós-doutoral em Economia Computacional no Research Unit on Complexity and Economics do ISEG/Universidade de Lisboa

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2026

Relatório de valuation da ITUB3 - Itaú Unibanco ON N1


  As ações ITUB3 e ITUB4 sempre figuram entre as mais negociadas e líquidas da B3, junto com outras como PETR4 e demais ações de grandes bancos como Bradesco, Banco do Brasil e Santander Brasil.

  O Itaú Unibanco é, há vários anos, um dos maiores bancos do Brasil em termos de ativos, lucros e valor de mercado. Considerando seus ativos totais, ele é com frequência colocado no topo entre bancos privados, competindo pela posição de maior banco privado com Bradesco. O Itaú também se posiciona entre os três maiores bancos do Brasil quando se considera indicadores como rentabilidade (ROE e margem de contribuição), carteira de crédito, distribuição geográfica (capilaridade das agências) e presença internacional.
   Seu posicionamento estratégico no mercado brasileiro é privilegiado, tendo vantagens competitivas como:
  • Rede de varejo abrangente e eficiente: forte base de clientes, extensa rede de agências e forte presença digital (bancos digitais, pagamentos, carteira de crédito).
  •  Diversificação de receitas: varejo, crédito imobiliário, crédito corporativo, gestão de ativos, banco de investimento, cartões.
  •  Serviço de varejo altamente escalável com operações de crédito e seguros integradas.
  •  Forte qualidade de crédito e sólida governança, com perfil conservador na gestão de risco.
  •  Capacidade de capital robusta e acesso a funding diversificado.

  • Analisando seus riscos e desafios, encontramos: 

  •  Competição intensa no varejo e serviços financeiros, com entrada de fintechs e bancos digitais que pressionam margens.
  •  Sensibilidade a ciclos de crédito no Brasil (inflação, juros, inadimplência).
  •  Necessidade de contínuas evoluções tecnológicas e de experiência do cliente para manter eficiência e satisfação.
  •  Ambiente regulatório e macroeconômico brasileiro desafiador e que pode afetar spreads, volumes de crédito e demanda por produtos.

   O Itaú tende a manter uma posição dominante entre os bancos privados, com destaque para sua rede de atendimento, escala de operações e capacidade de cross-sell entre varejo e clientes corporativos. A estratégia da instituição tem sido fortalecer plataformas digitais, ampliar serviços de pagamento, aprofundar a atuação em investimentos e asset management e também manter solidez na concessão de crédito e aumentar a eficiência na gestão de custos

    O banco divulgou no dia 4 de fevereiro seus dados referentes aos quatro trimestres de 2025 e os dados anuais. Exibiu um lucro recorrente gerencial de R$ 12,3 bilhões no quarto trimestre de 2025 (4T25). Uma alta de 13,2% em relação aos R$ 10,884 bilhões  obtidos em igual período de 2024. 

   Os resultados atenderam às projeções do mercado, que esperava, segundo mediana de compilação feita por analistas consultados pela Reuters, um lucro de R$ 12,3 bilhões.

    Com as altas recentes da B3, ITUB3 registrou altas expressivas. Subiu 88,08% em 12 meses, 21,14% em 30 dias e 7,11% no mês, considerando a data de 12/02/2026, quando atingiu R$ 44,92. 

   Assim sendo, esta ação deixou de ter upside (potencial de lucro) e - considerando a margem de erro dos nossos modelos de valuation por machine learning - ela passou a registrar downside (potencial de queda). Transformou-se, portanto, em uma ação relativamente cara, tendo em vista que nossa análise foi feita com os demonstrativos contábeis mais recentes, fechados em 31/12/2025 e divulgados, como dissemos, no último dia 04/02. 

  Como mostra o primeiro gráfico, todos os modelos de valuation que computamos evidenciam que a ação está com cotação de fechamento acima do seu valor intrínseco. Todos os modelos mais tradicionais e utilizados pela literatura de  valuation de ações apontaram valores intrínsecos em torno de R$ 38,00. Somente o nosso modelo exclusivo, o LAFI Model, apontou um valor mais otimista de R$ 43,31, ficando um pouco abaixo da cotação de fechamento de R$ 45,60. 



   Considerando estes valores, o gráfico seguinte mostra os potenciais de baixa (downsides). Como mencionamos, o menor deles corresponde ao nosso modelo, que apontou uma queda potencial de -5,03%. 

   Trata-se, portanto, de um resultado natural, diante da expressiva valorização de ITUB3.  


   Não é nada fácil estimar com rigor analítico valores intrínsecos de bancos, dado que estas instituições não possuem fluxos de caixa e os modelos de valuation baseiam-se em técnicas de fluxo de caixas descontados. Nesse sentido, acreditamos que estas estimativas possam ser úteis para a tomada de decisões de gestores, investidores pessoas físicas e investidores institucionais. 

    Finalmente, salientamos que o LAFI não faz recomendações de investimentos e que não temos vinculação com nenhuma empresa ou instituição financeira. Somos um grupo de pesquisa em valuation e finanças e nosso único propósito é produzir e divulgar estimativas elaboradas com alto nível de rigor analítico e contribuir para a tomada de decisões dos participantes do mercado de ações. 

Nosso grupo é formado pelos seguintes pesquisadores:

- Clarissa de Souza – departamento financeiro da Safras & Cifras e acadêmica do Curso de Ciências Econômicas da UFPEL.

- Profª Dra. Daniela Miguel Coelho – Professora e pesquisadora do Departamento de Economia e do Programa de Pós-Graduação em Organizações e Mercados da Universidade Federal de Pelotas (DECON/PPGOM/UFPEL). Doutora em Ciências Contábeis pela Unisinos.

- Flávio de Vasconcellos Corrêa – economista e engenheiro da UFPEL. Mestrando em Economia Aplicada no PPGOM/UFPEL.

- Guilherme Gotuzzo – acadêmico do Curso de Ciências Econômicas da UFPEL.

- Isabelle Braum de Mello – acadêmica do Curso de Ciências Econômicas da UFPEL.

- Prof. Dr. Marcelo de Oliveira Passos – Coordenador do LAFI. Professor e pesquisador do DECON/PPGOM/UFPEL. Doutor em Desenvolvimento Econômico pela UFPR. Estágio pós-doutoral em Economia Computacional no Research Unit on Complexity and Economics do ISEG/Universidade de Lisboa.
 

quinta-feira, 2 de outubro de 2025

Exatamente como previmos: A ação ordinária da Sabesp atingiu o preço-alvo que estimamos

Na postagem de 24 de abril deste ano, elaboramos o relatório de valuation da ação ordinária da Sabesp (SBSP3). O relatório completo está aqui.  

Estimamos, como costumamos fazer, o valor intrínseco da ação por meio de seis modelos de valuation por machine learning

Naquela data, o preço de fechamento da ação estava em R$ 112,61. Apontamos que a ação poderia chegar a R$ 132,69, pelo modelo do influente financista Aswath Damodaran (1994). Os outros modelos que rodamos geraram estimativas um pouco mais otimistas, sendo que o modelo de Passos (2025) estimou um valor um pouco acima do modelo do Damodaran: R$ 135,39. 

Resultado final: a ação fechou anteontem (30/09/2025) em R$ 132,17. E em 23/09/2025, a ação registrou o seu valor máximo em 52 semanas: R$ 132,18. Republicamos o gráfico daquele relatório para verificação.  


Conseguimos, portanto, prever com total precisão e com 5 meses de antecedência o preço-alvo da ação. E antecipamos a sua maior alta em 52 semanas.  
Portanto, quem comprou a ação ao preço vigente naquela data de 24 de abril e a vendeu em 23/09/2025, lucrou praticamente R$ 20,00 por ação. Isto equivale a uma rentabilidade de 17,38% em apenas 5 meses. Retorno excelente, portanto. 

Finalmente, temos que dizer que o que fazemos é pesquisa sobre análise fundamentalista e não recomendação de investimento, ok? 
Em breve, analisaremos mais ações. E estamos formando uma equipe de estudantes e pesquisadores e esperamos aumentar o número de relatórios de valuation postados aqui assim que for possível.  

sexta-feira, 12 de setembro de 2025

Previsão confirmada: a TAEE3 está no seu valor intrínseco desde 09/07/2025

Na postagem do dia 09/07/2025, elaborei um relatório da TAEE3 ou Taesa ON N2. Ela é uma das maiores empresas transmissoras de energia do país e muito reconhecida como boa pagadora de dividendos. 

Neste relatório apontei que os resultados dos seis modelos de valuation por machine learning que venho rodando e divulgando aqui no blog  geraram valores muito próximos, sinalizando que esta ação havia atingido o seu preço justo ou valor intrínseco, considerando as margens de erro de 2% para cima ou para baixo. 

Republico aqui o gráfico com os valores intrínsecos estimados pelos seis modelos e a cotação da ação em 08/07/2025: 


Pois bem, lá se vão 2 meses, aproximadamente. E os resultados mostram que nossas previsões foram certeiras. 

O  gráfico abaixo, com as cotações de TAEE3 de 04/07/2025 a 11/09/2025 mostra que a análise foi correta, pois a ação atingiu a máxima de R$ 11,62, em 11/09/2025 e registrou uma mínima de R$ 10,76, em 04/08/2025.

Trata-se de uma lateralização, também chamada de movimento lateral ou consolidação. Ela ocorre quando o preço de um ativo oscila dentro de uma faixa sem apresentar uma tendência clara de alta ou baixa. Durante um período, o preço se move entre dois níveis-chave: suporte (piso) e resistência (teto), para formar um canal horizontal.



O que fazer com a ação neste caso? Bem, o recomendável é mantê-la na carteira e não comprar, nem vender. O ideal é aguardar até que a empresa registre resultados melhores ou  produza notícias mais positivas (motivadas pelo setor de energia ou por ela mesma). 

Todavia, ressalto que esta não é uma recomendação, apenas uma conclusão de um estudo aprofundado de valuation que pesquisou um fluxo de caixa projetado com base em dados de mais 60 trimestres de demonstrativos contábeis da empresa. 

Convém dizer também que esta ação é uma das preferidas por quem investe com foco em dividendos. Assim, é possível mantê-la por um tempo e diversificar um pouco a carteira com outras ações que tenham uma margem de segurança maior (um upside elevado, isto é, um potencial de lucro substancial). Ah, e que demonstrem ter um bom histórico como pagadoras de dividendos. Isto é essencial para buy-and-holders com foco em geração de dividendos no longo prazo.  



terça-feira, 12 de agosto de 2025

Relatório de valuation da WEG ON N1 (WEGE3)

Este relatório de valuation é, na verdade, uma breve análise fundamentalista da WEG (WEGE3), com base nos últimos resultados disponíveis e em rankings recentes.

1) Análise financeira (2T25 / 1S25)

1.a) Receita e margens: 

Receita líquida no trimestre 2T25: R$ 10,21 bilhões (+10,1% ao ano). EBITDA 2T25: R$ 2,26 bilhões (margem de 22,1%). Lucro líquido 2T25: R$ 1,59 bilhões (margem de 15,6%). 

Acumulado no primeiro semestre 1S25: EBITDA (Lucros antes de Juros, Impostos, Depreciação e Amortização) de R$ 4,43 bilhões (margem 21,9%); lucro líquido R$ 3,14 bilhões (margem 15,5%). 

1.b) Liquidez

Caixa e equivalentes: R$ 5,69 bilhões (jun/25). Aplicações financeiras de longo prazo: R$ 725 milhões. 

Passivo circulante: R$ 14,26 bilhões; ativo circulante: R$ 25,30 bi ⇒ Liquidez corrente de cerca de 1,77x.

Liquidez seca: (ativo circulante – estoques) / passivo circulante: cerca de 1,07x. (Cálculos a partir do balanço do 2T25.) 

1.c) Endividamento

Dívida bruta (curto + longo prazos): R$ 2,58 bilhões (ex-arrendamentos). Caixa supera dívida ⇒ posição de caixa líquido de R$ 3,1 bilhões (ou R$ 3,8 bilhões, quando se incluem as  aplicações). Endividamento líquido/EBITDA: negativo (empresa desalavancada). 

1.d) Rentabilidade

Margem EBITDA (Lucros antes de Juros, Impostos, Depreciação e Amortização) em 2T25: 22,1%; margem líquida 2T25: 15,6% (ambas historicamente elevadas para o setor de bens de capital). 

A WEG possui um ROIC (retorno sobre o capital investido) elevado em seus produtos fabricados.  A empresa sempre investiu fortemente em tecnologia e qualidade e demonstra ter alta eficiência operacional. 

1.d) Investimentos (realizados e programados)

Continuidade do CAPEX em modernização e expansão de capacidade no Brasil e no México reportada em 1T/2T25. 

Fábrica do México: previsão de expansão/inauguração de planta de Automação (aproximadamente 4,9 mil m²), para aumentar eficiência e atender demanda local; investimentos reportados na mídia e pela empresa. 

Ciclo de transformadores: plano de investimento de R$ 1,2 bilhões (Brasil, México e Colômbia) para dobrar a capacidade global ao final do ciclo. 

Fábrica em Linhares (ES, Brasil): projeto recente de R$ 160 milhões para verticalização/expansão (fabricação de fios e novo prédio industrial). 

Reportagens setoriais mencionam um volume de invesimentos previstos de cerca de R$ 670 milhões em 5 anos (Brasil e México) para motores/transformadores. 

2) Posicionamento de mercado

2.1) Escala global

Operações/vendas em >135 países; fábricas em 18 países; mais de 47 mil colaboradores. 

2.2) Liderança e inovação

Top 10 do Valor Inovação Brasil 2024 (8º geral e 1º no setor eletroeletrônico). 

1º lugar no Prêmio Broadcast Empresas (geração de valor ao acionista) em 2023. 

2.3) Ranking nas “maiores do país” e valor de mercado

Valor 1000 (2024): WEG aparece entre as 1000 maiores; a publicação aponta a empresa na 40ª posição geral no ranking de 2024 em SC. 

Exame – Melhores & Maiores 2024: destaque do setor de Bens de Capital. 

B3 (valor de mercado): em jan/2025, WEG chegou ao 3º maior valor de mercado da B3, superando a Vale naquele momento. 

2.4) Mercado 

Motores elétricos, automação e T&D inseridos em mercados globais de motores e motores de baixa tensão com crescimento robusto nesta década (taxa de crescimento anual composta ou CAGR de aproximadamente 7%, a depender da fonte consultada).  

2.5) Forças e ameaças.

2.5.a) Principais forças: Balanço sólido (caixa líquido, baixa alavancagem) e forte geração de caixa. 

Diversificação geográfica e de portfólio (motores, automação, energia, T&D - treinamento e desenvolvimento, revestimentos) e presença global. 

Eficiência operacional e histórico de ROIC/margens elevados; disciplina em CAPEX (despesas em formação de capital) e M&A (fusões e aquisições). 

Inovação contínua e liderança setorial reconhecida (Valor Inovação). 

2.5.b) Principais ameaças: Ciclo industrial global e capex de clientes: desacelerações podem afetar pedidos; a própria companhia reconheceu incertezas macro/geopolíticas em 2025. 

Concorrência internacional (ABB, Siemens, Nidec etc.) em automação/motores, exigindo inovação constante e competitividade. (Contexto de mercado.) 

Custo de insumos (ex.: cobre) e câmbio, que podem pressionar margens e capital de giro em ciclos adversos. (Risco típico do setor; inferência setorial suportada por relatórios de mercado.) 

Risco regulatório/comercial (barreiras, conteúdo local, trade). (Risco setorial geral.)

3) Análise de valuation por machine learning

Computamos os valores intrínsecos desta ação com base em estimativas de seis modelos de valuation por machine learning (ML). Cinco deles são amplamente reportados na literatura  sobre valuation. O sexto modelo foi desenvolvido por mim. Eu também codifiquei os outros cinco  e os transformei em algoritmos de ML . 

Os modelos rodados com os dados da WEG (dados dos últimos 60 demonstrativos trimestrais) foram: Myers (1974), Miles & Ezzell (1980),  HPR - Harris & Pringle (1985) e Ruback (1995), Damodaran (1994), Fernández (2004 e 2008) e Passos (2025). 

É importante mencionar que o objetivo do blog é  apenas fazer divulgação científica. Assim, estes resultados estimados não devem ser considerados como recomendações de investimentos. Não devem ser considerados, de modo algum, como "dicas" de investimento. 

Os preços-alvos da ação WEGE3, conforme as estimativas dos modelos citados, foram os que estão no gráfico a seguir. A partir dele, temos que os valores mais conservadores foram o do modelo de Damodaran (R$ 46,61) e o do modelo de Passos (R$ 46,64). 

Estas estimativas podem ser traduzidas como sendo um lucro potencial (upside) de R$ 10,00 por ação, pelo modelo de Damodaran e de R$ 10,03 pelo modelo de Passos. Todavia, em termos práticos, estes valores são estatisticamente iguais, pois há uma  margem de erro de 2 pontos porcentuais para cima ou para baixo. 


Estes preços-alvos equivalem, de acordo com o segundo gráfico, a um upside (potencial de alta) de 27,33%, de acordo com o modelo de Damodaran, e de 27,41%, pelo modelo de Passos. Os demais modelos foram um pouco mais otimistas, mas também geraram estimativas idênticas, considerando a margem de erro. 

Finalmente, convém ressaltar que as ações da WEG sofreram quedas recentes em razão das incertezas geradas pelos anúncios de tarifas impostas ao Brasil por Donald Trump. E que a cotação máxima de WEGE3, nas últimas 52 semanas, foi R$ 57,65, um nível acima, portanto, das estimativas geradas por estes modelos de valuation. 

Isto reforça, de certa maneira, que este ativo se encontra em baixa e, em razão de seus fundamentos, é possível esperar uma alta futura.  

Mais uma previsão acertada: antecipamos a alta das ações da WEG S.A. ON N1 (WEGE3)

Caro leitor, é com orgulho que informamos que o LAFI/UFPEL acertou novamente uma previsão feita com bastante antecedência.    No dia 12 de a...