terça-feira, 16 de junho de 2026

Duas previsões acertadas: PETR3. "Cravamos" as máximas da ação no período da guerra do Irã (que felizmente está terminando).

   Acertamos duas novas previsões: as máximas da ação ordinária da Petrobras (PETR3 - Petrobras ON). A guerra entre Irã e EUA começou no dia 28 de fevereiro deste ano. E deve, felizmente, terminar com a confirmação da assinatura de um Acordo de Paz, na sexta-feira próxima. Segundo as recentes declarações de Donald Trump e Emanuelle Macron, o acordo já foi assinado eletronicamente. Falta a confirmação, que deve ocorrer na sexta-feira. 

   Nós fizemos um relatório de valuation e análise fundamentalista da PETR3 no último dia 04 de março. E nossos modelos previram que a ação subiria e atingiria, no mínimo, valores entre  R$ 53,21 e R$ 56,41, conforme apontaram os modelo de Damodaran (1997) e o nosso LAFI Model    

   Reproduzimos novamente o gráfico com as estimativas que publicamos aqui no dia 04 de março. 


   
   Como observamos no gráfico, o modelo de Damodaran (1997) apontou que PETR3 subiria de R$ 44,38 (preço de fechamento em 03/03/2026) para um valor intrínseco de R$ 53,21. E o nosso LAFI model previu uma alta maior: para R$ 56,41.

   Ambos acertaram, tendo em vista a margem de erro de R$ 2,53 (para mais ou para menos). Sendo que o modelo de Damodaran (1997) apresentou elevado grau de precisão. 

  Os dois gráficos seguintes mostram que a ação fechou em R$ 53,80, no dia 29/04/2026 e atingiu R$ 54,06 logo no dia seguinte. Essas foram as duas cotações máximas da ação no período da guerra entre Irã e EUA, que, esperamos, tenha terminado com a assinatura do Acordo de Paz,  no último dia 14/06.

   Ninguém, em sã consciência, fica satisfeito com uma guerra (o pior dos males provocados por seres humanos). Mas, em períodos de elevada incerteza, é preciso reprogramar a portfolio de investimentos, para diminuir o risco de perdas e preservar o patrimônio.

 Nesse sentido, acertamos ao prever as maiores altas da PETR3 no período mencionado. E esperamos que essas estimativas de valuation tenham sido úteis para quem nos acompanha aqui no blog, no Instagram e no nosso site do LAFI/UFPEL.  



   Considerando que, com o término da guerra, as cotações do barril de petróleo do tipo Brent devem cair mais e que o ingresso de dólares no Brasil também deve diminuir (em razão das menores exportações da Petrobras e da melhora do perfil dos títulos norte-americanos), em breve faremos uma nova análise da PETR3 e PETR4. 

   Essa revisão da análise também se faz necessária devido aos novos demonstrativos publicados pela estatal e referentes ao segundo trimestre de 2026. A análise anterior considerou os demonstrativos do primeiro trimestre, pois os do segundo não estavam disponíveis à epoca da redação do relatório. 

   Ressaltamos que o LAFI/UFPEL não faz recomendações de investimentos. Apenas divulgamos nossas estimativas de valuation, elaboradas com modelos consagrados pela literatura de finanças e com técnicas de machine learning aplicadas às finanças computacionais. 

    Nosso grupo é formado pelos seguintes pesquisadores:

  • Clarissa de Souza – departamento financeiro da Safras & Cifras e acadêmica do Curso de Ciências Econômicas da UFPEL.
  • Flávio de Vasconcellos Corrêa – economista e engenheiro da UFPEL. Mestre em Economia Aplicada (PPGOM/UFPEL).
  • Henrique Barros - acadêmico do Curso de Ciências Econômicas da UFPEL. 
  • Isabelle Braum de Mello – acadêmica do Curso de Ciências Econômicas da UFPEL.
  • Luis Fernando Tavares Braga - Professor e pesquisador do Departamento de Economia (Decon/UFPEL). Doutor em Economia (PUC/RS). 
  • Prof. Marcelo de Oliveira Passos – Coordenador do LAFI. Professor e pesquisador do DECON/PPGOM/UFPEL. Doutor em Desenvolvimento Econômico pela UFPR. Estágio pós-doutoral em Economia Computacional no Research Unit on Complexity and Economics do ISEG/Universidade de Lisboa.
  • Mateus Rafael da Silva Fernandes - acadêmico do Curso de Ciências Econômicas da UFPEL. 

quarta-feira, 10 de junho de 2026

Acertamos a previsão sobre a Embraer ON NM (EMBJ3). Isso é ótimo! Mas é hora de um novo relatório sobre ela.

HISTÓRICO, ANÁLISE DO MERCADO E PONTOS FORTES E FRACOS

A Embraer foi fundada em 1969 como empresa estatal brasileira voltada ao desenvolvimento da indústria aeronáutica nacional. Foi privatizada em 1994 e passou por profunda reestruturação, tornando-se uma das maiores fabricantes de aeronaves do mundo.

Hoje, a companhia atua em quatro segmentos principais: (i) Aviação Comercial (família E-Jets e E2); (ii) Aviação Executiva (Phenom e Praetor); (iii) Defesa & Segurança (KC-390 Millennium, A-29 Super Tucano); e (iv) Serviços e Suporte.

A empresa é líder global no segmento de jatos comerciais de 70 a 150 assentos. Trata-se de um nicho intermediário entre os grandes fabricantes como Airbus e Boeing.

Em relação ao seu posicionamento estratégico no setor aéreo, a empresa domina o segmento de aeronaves regionais modernas, tendo como seu principal produto as aeronaves da família  E2, que competem com o Airbus A220 e os modelos de menor porte da Boeing 737. Porém, os E2 possuem a vantagem competitiva de ter maior eficiência operacional para rotas de média densidade.

No segmento de Defesa, a Embraer vem crescendo com os seguintes produtos principais: 

  • O KC-390, que vem conquistando diversos clientes internacionais, sendo adotado por países da  OTAN.
  •  A parceria industrial com a sueca Saab no programa dos caças Gripen vem se ampliando satisfatoriamente.
  • Como investimento na mobilidade aérea urbana, a subsidiária Eve Air Mobility é um projeto de longo prazo e considerável nível de risco. Todavia, o projeto eVTOL ("carro voador") já realizou vôos de teste e possui milhares de intenções de compra.

As últimas notícias sobre encomendas da empresa revelam que ela re recebeu pedido adicional de 15 aeronaves E195-E2 e direitos de compra para mais 15 unidades. Além disso, o programa E2 ultrapassou a marca de 500 encomendas e a companhia aérea escandinava SAS anunciou a compra de 45 aeronaves E195-E2, com opção para mais 10 aeronaves. O valor estimado dessa operação é superior a  R$ 20 bilhões.

Seguindo sua estratégia de expansão global, a Embraer segue negociando a entrada dos E2 no mercado chinês, que é um dos que possui maior potencial de crescimento da aviação mundial.

E continuando no setor de defesa, há possibilidades comerciais de expansão das encomendas para o exterior do KC-390 e do Super Tucano.

Como pontos fortes, a empresa apresenta: 

  • Carteira de pedidos recorde - product backlog (lista mestre do que precisa ser feito nos produtos ao longo dos próximos anos) acima de US$ 26 bilhões. Isto indica vários vários anos de produção contratada.
  • Liderança em nicho específico - pouca concorrência direta na faixa de 70–150 assentos.
  • Diversificação - receitas provenientes de: aviação comercial; aviação executiva; defesa e serviços.
  • Forte posição tecnológica - é uma das poucas fabricantes globais capazes de desenvolver aeronaves completas.
  • Crescimento internacional - expansão na Europa, América do Norte, Oriente Médio e Ásia.
Seus pontos fracos e riscos: 
  • Dependência do ciclo econômico do Brasil e do mercado externo - A demanda por aeronaves é altamente sensível ao crescimento global.
  • Cadeia de suprimentos - a indústria aeronáutica ainda enfrenta gargalos de componentes e motores.
  • Exposição cambial - receitas são majoritariamente em dólar, mas parte relevante dos custos é em reais.
  • Forte competição - concorrência de: Airbus, Boeing e COMAC (Commercial Aircraft Corporation of China), principalmente. 
  • Risco de execução - aumento da produção exige capacidade industrial e logística adequada.


ESTIMATIVAS DE VALUATION

No dia do trabalho (1/5/26) nós publicamos no nosso Instagram as estimativas de valuation da ação ordinária da Embraer (EMBJ3). Calculamos o preço-teto dela em torno de R$ 66,00. Fizemos isso quando ela tinha fechado em R$ 77,04 (em 30/6/26). 

Acertamos a previsão apenas 18 dias após. No dia 19/5/26 ela fechou em R$ 68,64.   Essa cotação ficou R$2,00 acima da nossa previsão, o que está dentro da margem de erro. 

De lá para cá, foram divulgados os demonstrativos do 2º trimestre da empresa. Portanto, seus fundamentos mudaram e tivemos então que recalcular as estimativas de valuation. 

Após computarmos seis modelos de valuation por machine learning, as novas estimativas para a EMBJ3 são as seguintes: 


  Como se vê, os modelos apresentaram resultados um tanto diversos.  Nosso LAFI Model, contudo, apontou que EMBJ3 está no seu preço-teto (valor intrínseco ou valor justo). A ação pode subir, ou cair. Mas o provável é que não suba e nem caia muito. Ela pode oscilar em torno do patamar de R$ 72,00 por algum tempo (com uma margem de erro de R$ 2,47, para cima ou para baixo).

  Cabe ressaltar que o LAFI/UFPEL não dá dicas ou recomenda investimentos.   Apenas divulgamos os resultados de nossas pesquisas sobre métodos de precificação consagrados pela literatura internacional de finanças.
 
  Incluímos também um método bem menos rigoroso do que os outros nossos seis modelos usuais: a fórmula simples de Décio Bazin (ver gráfico) .  Ela foi incluída porque é muito utilizada por analistas do mercado de capitais. 

ANÁLISE FINANCEIRA

O ano de 2024 foi um dos melhores da história da empresa. A receita cresceu cerca de 21% em relação ao ano anterior, atingindo o maior nível da história da companhia. O lucro líquido ajustado atingiu aproximadamente R$ 2,6 bilhões, representando crescimento de cerca de 680% sobre 2023.

    • Receita Líquida: US$ 6,4 bilhões
    • EBIT Ajustado: US$ 708 milhões
    • Margem EBIT: 11,1%
    • Fluxo de Caixa Livre Ajustado: US$ 676 milhões
    • Carteira de Pedidos (Backlog): recorde histórico
    • Aeronaves Entregues: 206

Em relação aos resultados do primeiro trimestre de 2025, podemos afirmar que a companhia soube manter o seu  ritmo de crescimento, mesmo tendo em vista que o primeiro trimestre, por questões sazonais, costuma ser mais fraco na indústria aeronáutica. Isso ocorre porque as entregas se concentram no segundo semestre.

    • Receita: US$ 1,103 bilhão
    • Crescimento anual: +23%
    • EBIT Ajustado: US$ 62 milhões
    • Margem EBIT: 5,6%
    • Entregas: 30 aeronaves
    • Backlog: US$ 26,4 bilhões (novo recorde histórico)

Em termos de liquidez, a Embraer melhorou nos últimos anos. Apresentou forte geração de caixa em  2024, além de um fluxo de caixa livre ajustado de aproximadamente US$ 676 milhões.

Nesse sentido, podemos avaliar que a liquidez da companhia é bem razoável, sendo que a Embraer possui recursos suficientes para financiar operações e investimentos de curto prazo.

A estrutura de capital evoluiu consideravelmente. No tocante ao endividamento, ela alongou o perfil de seus compromissos com capitais de terceiros, fazendo uma emissão bem-sucedida de bônus internacionais de 10 anos. Assim, apesar do fluxo de caixa negativo no primeiro trimestre de 2025 (normal devido ao ciclo de produção), a empresa relatou que isso  foi consequência do aumento dos estoques para suportar entregas futuras. A razão dívida líquida/EBITDA aumentou 0,5 vezes no primeiro trimestre de 2025 (havia crescido 1,8 vezes um ano antes). O prazo médio da sua dívida foi estendido para 6,3 anos, o que a coloca em posição relativamente cômoda, considerando os benchmarks industriais. Nesse sentido, podemos considerar seu endividamento como moderado e seu risco financeiro reduzido. 

Analisando agora  a rentabilidade, a empresa áerea tem evoluído também nesse quesito. Em 2023, a sua margem EBIT ajustada era de cerca de 8%, expandindo-se para 11,1% em 2024. Novamente em 2023, o lucro ajustado era de 333 milhões de reais. E em 2024, ele atingiu 2,6 bilhões. Um crescimento  bastante expressivo motivado por uma maior maior escala de produção, devido ao crescimento do mercado de aviação executiva, a expansão da área de defesa, a rentabilidade da área de serviços e aos recebimentos relacionados ao acordo arbitral com a Boeing.

Portanto, a combinação de carteira recorde de pedidos, melhora operacional, redução do endividamento, expansão internacional e fortalecimento das áreas de defesa e mobilidade aérea urbana coloca a Embraer em uma posição estratégica favorável para os próximos anos. O principal desafio será converter esse enorme backlog em entregas e lucros mantendo margens elevadas e evitando gargalos de produção.

Com base nos dados do relatório anual de 2024 e da divulgação dos demonstrativos do primeiro trimestre da Embraer, os principais indicadores podem ser resumidos da seguinte forma:

1. Índices de Liquidez

A liquidez mede a capacidade da empresa honrar suas obrigações de curto prazo.

    • Liquidez Corrente (Current Ratio) -  1,50x (2023) vs 1,48x (2024)
    • Liquidez Seca (Quick Ratio) -  0,61x (2023)  vs   0,50x (2024)

Portanto, em 2024, para cada R$ 1,00 de dívida de curto prazo, a Embraer possuiu aproximadamente R$ 1,48 em ativos circulantes. Uma situação considerada como saudável, dado que uma liquidez corrente acima de 2,0 seria excessiva para uma empresa que tem que manter elevados níveis de investimento em capital fixo e salários elevados. 

Considerando a liquidez seca de 0,50x em 2024, podemos afirmar que, ao excluirmos os estoques, a liquidez cai significativamente, algo comum na indústria aeronáutica, pois grande parte do capital está investida em aeronaves em produção e componentes.

2. Índices de Endividamento

A dívida Líquida / EBITDA, que é um dos indicadores mais acompanhados pelo mercado, mostrou uma redução de 1,8x (1º trim/24) para 0,5x (1º trim/25), o que é uma melhora bastante expressiva e que leva a situação de dependência de capitais de terceiros da empresa a um nível bastante confortável. E isto pode ser atestado pela queda da sua dívida líquida de 2,7 bilhões de reais em 2023, para 371 milhões em 2024. Ou seja, a empresa praticamente eliminou sua dívida líquida em 2024. E isto é um melhores perfis de dívida financeira da história recente da companhia.

3. Índices de Rentabilidade

A margem EBIT Ajustada cresceu de cerca de 8% para 11,1%, de 2023 para 2024. Esse crescimento deveu-se ao aumento das entregas; à melhora do mix de produtos; ao crescimento da divisão de defesa e da aviação executiva.

Já a margem EBITDA teve um aumento de cerca de 9% (2023) para 14% (2024), com o EBITDA ajustado evoluindo de US$ 492 milhões (2023) para US$ 922 milhões (2024), ou seja, uma expansão que evidencia forte ganho operacional.

O ROE, em 2024, foi de 8,5%, o que pode ser visto como um sinal de recuperação em relação aos anos anteriores, mas ainda é um tanto abaixo de empresas industriais de rentabilidade realmente positiva (na faixa de 18% a 25%).    

A margem líquida, em 2024, foi de 5,4%, o que é satisfatória para uma fabricante de aeronaves. 

Já o retorno sobre ativos (ROA), foi de apenas 3,9%. O que não é preocupante, pois é um ROA normal para empresas altamente intensivas em capital fixo, como no caso da indústria aeronáutica. 

A indústria aeronáutica é altamente intensiva em capital, o que naturalmente reduz o ROA.

Portanto, resumidamente, podemos considerar a EMBRAER como tendo: 

    • Liquidez adequada.
    • Endividamento muito baixo.
    • Forte geração de caixa.
    • Crescimento das margens.
    • Backlog recorde superior a US$ 26 bilhões.
    •  Perspectiva positiva para 2026–2027.

A empresa ainda pode evoluir seu ROE, que permanece abaixo dos níveis observados em empresas industriais de excelência, mas tende a subir caso a companhia continue transformando sua carteira recorde de encomendas em lucro líquido recorrente.


terça-feira, 7 de abril de 2026

Mais uma previsão acertada: antecipamos a alta das ações da WEG S.A. ON N1 (WEGE3)

Caro leitor, é com orgulho que informamos que o LAFI/UFPEL acertou novamente uma previsão feita com bastante antecedência. 

  No dia 12 de agosto do ano passado (há quase 8 meses atrás, portanto), publicamos que a ação ordinária da WEG (WEGE3) poderia subir 27,41% (conforme o LAFI model, que então se chamava modelo de Passos, pois o LAFI ainda não tinha sido criado). 

  Isto está nos dois gráficos de barras que republicamos no final deste artigo (junto com a íntegra do texto, que pode ser acessado aqui). Neles, o leitor pode ver que os outros cinco modelos também apontavam estimativas idênticas, considerando a margem de erro. 

  Assim, nós dissemos naquela data que a ação poderia subir de R$ 36,61 (que foi o preço de fechamento da ação em 12/08/2025) para um intervalo com valor mínimo de R$ 46,61 (cálculo do modelo de Damodaran) e máximo de R$ 46,70 (conforme os modelos de Miles & Ezzell e Harris, Pringle & Ruback). Resumindo: previmos que quem comprasse a ação lucraria cerca de R$ 10,00 por ação. 

  Dito e feito: ela subiu e fechou em R$ 46,35 no dia 20 de janeiro de 2026 (gráfico de linha abaixo). 




E ela subiu mais depois disso, mas voltou a cair e atingir R$ 46,80 no dia 11 de março de 2026 (gráfico de linha seguinte):

 


  Republicamos agora a íntegra do texto de 12 de agosto do ano passado. Nele estão também os dois gráficos de barras com as estimativas de valuation. Nós mantivemos os negritos do texto original. 

"Os preços-alvos da ação WEGE3, conforme as estimativas dos modelos citados, foram os que estão no gráfico a seguir. A partir dele, temos que os valores mais conservadores foram o do modelo de Damodaran (R$ 46,61) e o do modelo de Passos (R$ 46,64). 

Estas estimativas podem ser traduzidas como sendo um lucro potencial (upside) de R$ 10,00 por ação, pelo modelo de Damodaran e de R$ 10,03 pelo modelo de Passos. Todavia, em termos práticos, estes valores são estatisticamente iguais, pois há uma  margem de erro de 2 pontos porcentuais para cima ou para baixo. 


Estes preços-alvos equivalem, de acordo com o segundo gráfico, a um upside (potencial de alta) de 27,33%, de acordo com o modelo de Damodaran, e de 27,41%, pelo modelo de Passos. Os demais modelos foram um pouco mais otimistas, mas também geraram estimativas idênticas, considerando a margem de erro. 

Finalmente, convém ressaltar que as ações da WEG sofreram quedas recentes em razão das incertezas geradas pelos anúncios de tarifas impostas ao Brasil por Donald Trump. E que a cotação máxima de WEGE3, nas últimas 52 semanas, foi R$ 57,65, um nível acima, portanto, das estimativas geradas por estes modelos de valuation. 

Isto reforça, de certa maneira, que este ativo se encontra em baixa e, em razão de seus fundamentos, é possível esperar uma alta futura." 

 Ressaltamos, contudo, que não fazemos recomendações de investimentos. Apenas divulgamos os resultados de nossas pesquisas de avaliação (valuation), por machine learning, das ações das 10 maiores empresas da B3. Não temos vínculo com nenhuma instituição financeira ou empresa. Nosso foco é promover a pesquisa independente e puramente acadêmica em finanças computacionais/quantitativas.

   Nosso grupo é formado pelos seguintes pesquisadores:

  • Clarissa de Souza – departamento financeiro da Safras & Cifras e acadêmica do Curso de Ciências Econômicas da UFPEL.
  • Profª Daniela Miguel Coelho – Professora e pesquisadora do Departamento de Economia e do Programa de Pós-Graduação em Organizações e Mercados da Universidade Federal de Pelotas (DECON/PPGOM/UFPEL). Doutora em Ciências Contábeis pela Unisinos.
  • Flávio de Vasconcellos Corrêa – economista e engenheiro da UFPEL. Mestrando em Economia Aplicada no PPGOM/UFPEL.
  • Isabelle Braum de Mello – acadêmica do Curso de Ciências Econômicas da UFPEL.
  • Prof. Marcelo de Oliveira Passos – Coordenador do LAFI. Professor e pesquisador do DECON/PPGOM/UFPEL. Doutor em Desenvolvimento Econômico pela UFPR. Estágio pós-doutoral em Economia Computacional no Research Unit on Complexity and Economics do ISEG/Universidade de Lisboa.

 

segunda-feira, 23 de março de 2026

Nossos modelos acertaram outra vez. Previmos o quanto a ação ITUB3 iria cair.

   Novamente acertamos uma previsão sobre uma das ações mais importantes da B3: a do Itaú Unibanco ON N1 (ITUB3). 

  Quem realmente conhece modelos quantitativos de valuation de ações, sabe o quanto é mais difícil avaliar ações de bancos e seguradoras do que avaliar empresas não-financeiras. É o que dizem Koller, Goedhart e Wessels (2022), no capítulo sobre valuation de bancos neste já clássico livro.  A obra é patrocinada pela Mckinsey, uma das principais consultorias em finanças do mundo e a empresa da qual Koller é sócio.  

  A equipe do LAFI rodou previsões de valuation por cinco dos mais conhecidos modelos de precificação de ações do mundo (ver figura ). E também fizemos uma outra estimativa com o nosso modelo de valuation por machine learning: o LAFI Model. 

  Assim, nós mensuramos aqui, com mais de 2 meses de antecedência, a queda desta ação. E provamos que não somente somos capazes de predizer quantitativamente a alta de uma ação (upside), mas também sabemos medir seu potencial de queda (downside). 

  A análise foi postada aqui no blog em 12 de fevereiro deste ano. Ou seja, há 2 meses e 11 dias atrás. Republicamos novamente o gráfico daquela postagem com as estimativas de valuation dos referidos modelos. 

         

   Como o gráfico revela, todos os modelos previram um preço-alvo de cerca de R$ 38,00. E o nosso LAFI Model apontou uma estimativa de R$ 43,31. Portanto, predizemos que ITUB3 cairia entre o limite mínimo de R$ 38,00 e o máximo R$ 43,31. Quando rodamos os modelos, a ação estava em R$ 45,60, como o gráfico também evidencia.

  Pois bem, o valor previsto pelo LAFI Model foi atingido no dia 23 de fevereiro, isto é, apenas 11 dias após publicarmos nossa análise. 

  Mas, tal como os outros modelos descritos no gráfico acima anteciparam, ITUB3 continuou a cair e fechou em R$ 40,49 no dia 18 de março de 2026 (ver gráfico a seguir, extraído do site Fundamentus). 

  Assim, já acertamos este valor considerando tanto a margem de erro (R$ 1,92 para cima ou para baixo), quanto o intervalo de previsão (tal como mencionamos: uma queda de preço-alvo que ficaria entre R$ 38,00 e R$ 43,31).


  Ressaltamos, contudo, como sempre fazemos, que nosso foco não é dar dicas ou sugestões de investimentos. O que fazemos é simplesmente divulgar os resultados de nossas pesquisas. Aliás, elas são feitas com o maior rigor possível e sem nenhum tipo de conflito de interesses, dado que nosso propósito é puramente acadêmico. 

   Nosso grupo é formado pelos seguintes pesquisadores:

  • Clarissa de Souza – departamento financeiro da Safras & Cifras e acadêmica do Curso de Ciências Econômicas da UFPEL.
  • Profª Daniela Miguel Coelho – Professora e pesquisadora do Departamento de Economia e do Programa de Pós-Graduação em Organizações e Mercados da Universidade Federal de Pelotas (DECON/PPGOM/UFPEL). Doutora em Ciências Contábeis pela Unisinos.
  • Flávio de Vasconcellos Corrêa – economista e engenheiro da UFPEL. Mestrando em Economia Aplicada no PPGOM/UFPEL.
  • Isabelle Braum de Mello – acadêmica do Curso de Ciências Econômicas da UFPEL.
  • Prof. Marcelo de Oliveira Passos – Coordenador do LAFI. Professor e pesquisador do DECON/PPGOM/UFPEL. Doutor em Desenvolvimento Econômico pela UFPR. Estágio pós-doutoral em Economia Computacional no Research Unit on Complexity and Economics do ISEG/Universidade de Lisboa.



quarta-feira, 4 de março de 2026

Com a guerra no Irã, o petróleo ficou em alta e a ação PETR3 (Petrobras ON) subiu. Mas será que ela pode subir ainda mais?


Histórico da empresa, situação financeira e de mercado

A Petrobras é a maior petroleira do Brasil e uma das principais empresas de energia da América Latina. A estatal foi fundada em 1953. Desde o início desempenhou um importante papel na política energética nacional. Consolidou sua atuação na exploração e produção de petróleo e gás, com destaque para o seu foco no pré-sal — uma dos mais relevantes bacias petrolíferas do mundo.

Em relação ao seu posicionamento estratégico no Brasil, podemos destacar:

Que a Petrobras domina a exploração e produção de petróleo e gás no Brasil e tem participação relevante no refino e transporte. O pré-sal já responde por grande parte de sua produção, com baixos custos de extração e bom potencial de crescimento.

A empresa é um ator importante no mercado de combustíveis, influenciando preços internos e políticas de oferta. Isso a torna estratégica para a segurança energética do Brasil.

Já em relação à sua atuação internacional, a Petrobras compete com grandes petroleiras internacionais, especialmente no segmento de produção offshore de águas profundas. 
Apesar de menos diversificada globalmente que gigantes como ExxonMobil ou Shell, a empresa tem grande relevância em mercados emergentes e mantém produtos negociados internacionalmente.

Em termos das métricas de rentabilidade, liquidez e endividamento, nos últimos anos a Petrobras apresentou consistência nos seus resultados operacionais e financeiros:

Em 2024, a empresa registrou um lucro líquido de R$ 36,6 bilhões, com Operating Cash Flow de R$ 204 bilhões, gerando caixa robusto apesar de um cenário de preços de petróleo volátil.

Em 2023, alcançou seu segundo maior lucro histórico (R$ 124,6 bilhões), acompanhado de elevado EBITDA e fluxo de caixa operacional.

Trimestralmente, no 3T de 2025, reportou lucro líquido de R$ 32,7 bilhões e forte Operating Cash Flow.

Até fim de 2024, a empresa tinha caixa ajustado de US$ 8,1 bilhões e free cash flow de US$ 23,3 bilhões, demonstrando capacidade de operar e financiar suas atividades.

A dívida líquida caiu ao longo de 2024-25 e ficou estável em torno de cerca de US$ 59-60 bilhões no 3T 2025, com métricas como Dívida Líquida/EBITDA de cerca de 2x, indicativo de alavancagem controlada.

Margens líquidas e operacionais variaram com os ciclos de preços do petróleo, mas produziram resultados sólidos, em linha com grandes petroleiras.

A eficiência do pré-sal e a alavancagem operacional da produção offshore sustentam margens competitivas globalmente.

Estimativas de Valuation pelos nossos modelos de machine learning

Com as altas recentes da B3, PETR3 registrou valorizações expressivas. Subiu 3,86% neste mês de março; 12,10% em apenas 30 dias; 21,14% em 30 dias e 24,60% em 12 meses, considerando a data de 03/03/2026, quando atingiu o preço de R$ 44,38.

Ainda assim, esta ação continua apresentando considerável upside (potencial de lucro) e – levando em conta a margem de erro dos nossos modelos de valuation por machine learning – todos eles mostraram que PETR3 ainda está barata. Com o cenário internacional de guerra no Oriente Médio, não será surpresa se este ativo atingir rapidamente o seu valor intrínseco, calculado com base nos relatórios contábeis de 30/09/2025, os mais recentes divulgados pela petroleira.

Como mostramos na figura 1, todos os modelos de valuation que computamos evidenciam que a ação está com cotação de fechamento abaixo dos seus valores intrínsecos estimados. A maioria dos modelos mais tradicionais e utilizados pela literatura de valuation de ações apontaram valores intrínsecos acima de R$ 56,00. O nosso LAFI Model também aponta uma estimativa de preço-alvo de R$ 56,41. Apenas o influente modelo de Damodaran (1994), conhecido por ser prudente e conservador nas previsões, registrou um valor intrínseco menor de R$ 53,21 (que mesmo assim se encontra R$ 8,83 acima da cotação de fechamento de R$ 44,38, registrada em 03/03/2026).

Ao observarmos a figura 2, notamos que o citado modelo de Damodaran (1994) registrou o menor upside para PETR3, que foi estimado em 19,89%. O nosso LAFI Model estimou um upside de 27,10% e a projeção mais otimista foi a do modelo de Fernández (2004 e 2008), que registrou 44,42%. De qualquer modo, todos os modelos geraram upsides positivos. Em nossa perspectiva, o cenário de turbulência no mercado mundial de petróleo pode acelerar a valorização da ação e fazer com que ela chegue rapidamente ao seu valor intrínseco mais conservador, isto é, o papel pode chegar a exibir uma alta de 19,89%, conforme prevê o modelo de Damodaran.







Capacidade de Pagamento de Dividendos e de geração de fluxos de caixa


A Petrobras tem uma política de remuneração acionária transparente, vinculada à geração de caixa e ao controle de dívida:

Em 2024, a empresa pagou R$ 102,6 bilhões em dividendos, sendo cerca de R$ 37,9 bilhões para o governo brasileiro.

Em 2025, aprovou pagamento de R$ 12,16 bilhões em dividendos alinhados à política de distribuição de 45% do free cash flow.

No 1º trimestre de 2025, declarou cerca de US$ 2,1 bilhões em dividendos, apesar de lucros impactados por efeitos não operacionais em alguns períodos.

Portanto, a empresa tem histórico de pagamento consistente de dividendos, com rendimentos atrativos para acionistas, embora a sustentabilidade dependa da dívida e das prioridades de investimento.

A companhia tem gerado fluxos de caixa operacional robustos, o que é fruto do elevado nível de produção própria e da obtenção de expressivas receitas de exportação:

A forte geração de caixa operacional em 2023-2025 (centenas de bilhões de reais anuais) demonstra a base de geração sustentável de recursos para reinvestimento, amortização de dívida e pagamento de dividendos.

O foco em exploração de pré-sal, com baixo custo de produção e maior rendimento quando os preços internacionais sobem, reforça essa capacidade de geração de caixa ao longo do tempo.

Potencial de Valorização das Ações com a alta recente do Petróleo

O preço do petróleo é um fator-chave de valorização das ações da Petrobras (PETR3/PETR4):

Se o barril do tipo Brent subir, a rentabilidade da produção e os fluxos de caixa melhoram, favorecendo múltiplos de avaliação e potencial valorização das ações.

Conflitos geopolíticos ou tensões em regiões produtoras do Oriente Médio (por exemplo, Irã ou conflitos regionais) tendem a elevar os preços de petróleo, o que pode impulsionar o valor de ativos ligados a exploração e produção. (Contexto do mercado global — eventos geopolíticos tipicamente elevam preços do Brent e WTI, beneficiando petrolíferas integradas).

Risco de interferência política

Todavia, a empresa historicamente tem sido sujeita a pressões políticas vindas sobretudo do governo:

A operação Lava Jato revelou um grande esquema de corrupção envolvendo políticos e executivos da Petrobras, com impactos profundos na governança e confiança de investidores.

Mudanças estratégicas e políticas de preço muitas vezes estiveram associadas a decisões políticas (ex.: pressões para segurar preços de combustíveis em anos eleitorais).

Analistas e agências de risco apontam que interferência política continua sendo um dos maiores riscos para a Petrobras, afetando decisões de gestão, estratégia, política de dividendos e percepção de risco dos investidores.

Autoridades da empresa negam intervenção direta, mas o tema é constantemente debatido no mercado.

A intervenção governamental pode afetar a tomada de decisão técnica, prejudicar a confiança dos investidores e introduzir volatilidade nas ações — especialmente em períodos eleitorais ou de política de preços de combustíveis.

Histórico Recente e Perspectivas

Produção e resultados operacionais recordes em 2023-24, com foco em pré-sal.

Dívida reduzida em relação aos níveis históricos e geração de caixa sólida.

Petrobras aprovou planos de negócios 2026-2030, com foco em disciplina de capital, eficiência e equilíbrio entre investimentos, dívida e retorno ao acionista.

A empresa também busca diversificação no segmento de energia, investindo em projeto de energias renováveis e transição energética, inclusive acordos para entrar no mercado solar.

Os desafios da empresa são: (i) Manter equilíbrio entre pagamento de dividendos e reinvestimento em exploração e energia de baixo carbono; e (ii) Mitigar riscos políticos sem comprometer eficiência e governança, 

Finalmente, cabe ressaltar que o LAFI não faz recomendações de investimentos. Nesse sentido, nossas análises destinam-se apenas à divulgação de nossos resultados de pesquisa sobre mercado de ações e valuation.

Quem somos nós?

Nosso grupo é formado pelos seguintes pesquisadores:Clarissa de Souza – departamento financeiro da Safras & Cifras e acadêmica do Curso de Ciências Econômicas da UFPEL.

  • Profª Daniela Miguel Coelho – Professora e pesquisadora do Departamento de Economia e do Programa de Pós-Graduação em Organizações e Mercados da Universidade Federal de Pelotas (DECON/PPGOM/UFPEL). Doutora em Ciências Contábeis pela Unisinos.
  • Flávio de Vasconcellos Corrêa – economista e engenheiro da UFPEL. Mestrando em Economia Aplicada no PPGOM/UFPEL.
  • Isabelle Braum de Mello – acadêmica do Curso de Ciências Econômicas da UFPEL.
  • Prof. Marcelo de Oliveira Passos – Coordenador do LAFI. Professor e pesquisador do DECON/PPGOM/UFPEL. Doutor em Desenvolvimento Econômico pela UFPR. Estágio pós-doutoral em Economia Computacional no Research Unit on Complexity and Economics do ISEG/Universidade de Lisboa

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2026

Relatório de valuation da ITUB3 - Itaú Unibanco ON N1


  As ações ITUB3 e ITUB4 sempre figuram entre as mais negociadas e líquidas da B3, junto com outras como PETR4 e demais ações de grandes bancos como Bradesco, Banco do Brasil e Santander Brasil.

  O Itaú Unibanco é, há vários anos, um dos maiores bancos do Brasil em termos de ativos, lucros e valor de mercado. Considerando seus ativos totais, ele é com frequência colocado no topo entre bancos privados, competindo pela posição de maior banco privado com Bradesco. O Itaú também se posiciona entre os três maiores bancos do Brasil quando se considera indicadores como rentabilidade (ROE e margem de contribuição), carteira de crédito, distribuição geográfica (capilaridade das agências) e presença internacional.
   Seu posicionamento estratégico no mercado brasileiro é privilegiado, tendo vantagens competitivas como:
  • Rede de varejo abrangente e eficiente: forte base de clientes, extensa rede de agências e forte presença digital (bancos digitais, pagamentos, carteira de crédito).
  •  Diversificação de receitas: varejo, crédito imobiliário, crédito corporativo, gestão de ativos, banco de investimento, cartões.
  •  Serviço de varejo altamente escalável com operações de crédito e seguros integradas.
  •  Forte qualidade de crédito e sólida governança, com perfil conservador na gestão de risco.
  •  Capacidade de capital robusta e acesso a funding diversificado.

  • Analisando seus riscos e desafios, encontramos: 

  •  Competição intensa no varejo e serviços financeiros, com entrada de fintechs e bancos digitais que pressionam margens.
  •  Sensibilidade a ciclos de crédito no Brasil (inflação, juros, inadimplência).
  •  Necessidade de contínuas evoluções tecnológicas e de experiência do cliente para manter eficiência e satisfação.
  •  Ambiente regulatório e macroeconômico brasileiro desafiador e que pode afetar spreads, volumes de crédito e demanda por produtos.

   O Itaú tende a manter uma posição dominante entre os bancos privados, com destaque para sua rede de atendimento, escala de operações e capacidade de cross-sell entre varejo e clientes corporativos. A estratégia da instituição tem sido fortalecer plataformas digitais, ampliar serviços de pagamento, aprofundar a atuação em investimentos e asset management e também manter solidez na concessão de crédito e aumentar a eficiência na gestão de custos

    O banco divulgou no dia 4 de fevereiro seus dados referentes aos quatro trimestres de 2025 e os dados anuais. Exibiu um lucro recorrente gerencial de R$ 12,3 bilhões no quarto trimestre de 2025 (4T25). Uma alta de 13,2% em relação aos R$ 10,884 bilhões  obtidos em igual período de 2024. 

   Os resultados atenderam às projeções do mercado, que esperava, segundo mediana de compilação feita por analistas consultados pela Reuters, um lucro de R$ 12,3 bilhões.

    Com as altas recentes da B3, ITUB3 registrou altas expressivas. Subiu 88,08% em 12 meses, 21,14% em 30 dias e 7,11% no mês, considerando a data de 12/02/2026, quando atingiu R$ 44,92. 

   Assim sendo, esta ação deixou de ter upside (potencial de lucro) e - considerando a margem de erro dos nossos modelos de valuation por machine learning - ela passou a registrar downside (potencial de queda). Transformou-se, portanto, em uma ação relativamente cara, tendo em vista que nossa análise foi feita com os demonstrativos contábeis mais recentes, fechados em 31/12/2025 e divulgados, como dissemos, no último dia 04/02. 

  Como mostra o primeiro gráfico, todos os modelos de valuation que computamos evidenciam que a ação está com cotação de fechamento acima do seu valor intrínseco. Todos os modelos mais tradicionais e utilizados pela literatura de  valuation de ações apontaram valores intrínsecos em torno de R$ 38,00. Somente o nosso modelo exclusivo, o LAFI Model, apontou um valor mais otimista de R$ 43,31, ficando um pouco abaixo da cotação de fechamento de R$ 45,60. 



   Considerando estes valores, o gráfico seguinte mostra os potenciais de baixa (downsides). Como mencionamos, o menor deles corresponde ao nosso modelo, que apontou uma queda potencial de -5,03%. 

   Trata-se, portanto, de um resultado natural, diante da expressiva valorização de ITUB3.  


   Não é nada fácil estimar com rigor analítico valores intrínsecos de bancos, dado que estas instituições não possuem fluxos de caixa e os modelos de valuation baseiam-se em técnicas de fluxo de caixas descontados. Nesse sentido, acreditamos que estas estimativas possam ser úteis para a tomada de decisões de gestores, investidores pessoas físicas e investidores institucionais. 

    Finalmente, salientamos que o LAFI não faz recomendações de investimentos e que não temos vinculação com nenhuma empresa ou instituição financeira. Somos um grupo de pesquisa em valuation e finanças e nosso único propósito é produzir e divulgar estimativas elaboradas com alto nível de rigor analítico e contribuir para a tomada de decisões dos participantes do mercado de ações. 

Nosso grupo é formado pelos seguintes pesquisadores:

- Clarissa de Souza – departamento financeiro da Safras & Cifras e acadêmica do Curso de Ciências Econômicas da UFPEL.

- Profª Dra. Daniela Miguel Coelho – Professora e pesquisadora do Departamento de Economia e do Programa de Pós-Graduação em Organizações e Mercados da Universidade Federal de Pelotas (DECON/PPGOM/UFPEL). Doutora em Ciências Contábeis pela Unisinos.

- Flávio de Vasconcellos Corrêa – economista e engenheiro da UFPEL. Mestrando em Economia Aplicada no PPGOM/UFPEL.

- Guilherme Gotuzzo – acadêmico do Curso de Ciências Econômicas da UFPEL.

- Isabelle Braum de Mello – acadêmica do Curso de Ciências Econômicas da UFPEL.

- Prof. Dr. Marcelo de Oliveira Passos – Coordenador do LAFI. Professor e pesquisador do DECON/PPGOM/UFPEL. Doutor em Desenvolvimento Econômico pela UFPR. Estágio pós-doutoral em Economia Computacional no Research Unit on Complexity and Economics do ISEG/Universidade de Lisboa.
 

quinta-feira, 2 de outubro de 2025

Exatamente como previmos: A ação ordinária da Sabesp atingiu o preço-alvo que estimamos

Na postagem de 24 de abril deste ano, elaboramos o relatório de valuation da ação ordinária da Sabesp (SBSP3). O relatório completo está aqui.  

Estimamos, como costumamos fazer, o valor intrínseco da ação por meio de seis modelos de valuation por machine learning

Naquela data, o preço de fechamento da ação estava em R$ 112,61. Apontamos que a ação poderia chegar a R$ 132,69, pelo modelo do influente financista Aswath Damodaran (1994). Os outros modelos que rodamos geraram estimativas um pouco mais otimistas, sendo que o modelo de Passos (2025) estimou um valor um pouco acima do modelo do Damodaran: R$ 135,39. 

Resultado final: a ação fechou anteontem (30/09/2025) em R$ 132,17. E em 23/09/2025, a ação registrou o seu valor máximo em 52 semanas: R$ 132,18. Republicamos o gráfico daquele relatório para verificação.  


Conseguimos, portanto, prever com total precisão e com 5 meses de antecedência o preço-alvo da ação. E antecipamos a sua maior alta em 52 semanas.  
Portanto, quem comprou a ação ao preço vigente naquela data de 24 de abril e a vendeu em 23/09/2025, lucrou praticamente R$ 20,00 por ação. Isto equivale a uma rentabilidade de 17,38% em apenas 5 meses. Retorno excelente, portanto. 

Finalmente, temos que dizer que o que fazemos é pesquisa sobre análise fundamentalista e não recomendação de investimento, ok? 
Em breve, analisaremos mais ações. E estamos formando uma equipe de estudantes e pesquisadores e esperamos aumentar o número de relatórios de valuation postados aqui assim que for possível.  

Duas previsões acertadas: PETR3. "Cravamos" as máximas da ação no período da guerra do Irã (que felizmente está terminando).

   Acertamos duas novas previsões: as máximas da ação ordinária da Petrobras (PETR3 - Petrobras ON). A guerra entre Irã e EUA começou no dia...