segunda-feira, 23 de março de 2026

Nossos modelos acertaram outra vez. Previmos o quanto a ação ITUB3 iria cair.

   Novamente acertamos uma previsão sobre uma das ações mais importantes da B3: a do Itaú Unibanco ON N1 (ITUB3). 

  Quem realmente conhece modelos quantitativos de valuation de ações, sabe o quanto é mais difícil avaliar ações de bancos e seguradoras do que avaliar empresas não-financeiras. É o que dizem Koller, Goedhart e Wessels (2022), no capítulo sobre valuation de bancos neste já clássico livro.  A obra é patrocinada pela Mckinsey, uma das principais consultorias em finanças do mundo e a empresa da qual Koller é sócio.  

  A equipe do LAFI rodou previsões de valuation por cinco dos mais conhecidos modelos de precificação de ações do mundo (ver figura ). E também fizemos uma outra estimativa com o nosso modelo de valuation por machine learning: o LAFI Model. 

  Assim, nós mensuramos aqui, com mais de 2 meses de antecedência, a queda desta ação. E provamos que não somente somos capazes de predizer quantitativamente a alta de uma ação (upside), mas também sabemos medir seu potencial de queda (downside). 

  A análise foi postada aqui no blog em 12 de fevereiro deste ano. Ou seja, há 2 meses e 11 dias atrás. Republicamos novamente o gráfico daquela postagem com as estimativas de valuation dos referidos modelos. 

         

   Como o gráfico revela, todos os modelos previram um preço-alvo de cerca de R$ 38,00. E o nosso LAFI Model apontou uma estimativa de R$ 43,31. Portanto, predizemos que ITUB3 cairia entre o limite mínimo de R$ 38,00 e o máximo R$ 43,31. Quando rodamos os modelos, a ação estava em R$ 45,60, como o gráfico também evidencia.

  Pois bem, o valor previsto pelo LAFI Model foi atingido no dia 23 de fevereiro, isto é, apenas 11 dias após publicarmos nossa análise. 

  Mas, tal como os outros modelos descritos no gráfico acima anteciparam, ITUB3 continuou a cair e fechou em R$ 40,49 no dia 18 de março de 2026 (ver gráfico a seguir, extraído do site Fundamentus). 

  Assim, já acertamos este valor considerando tanto a margem de erro (R$ 1,92 para cima ou para baixo), quanto o intervalo de previsão (tal como mencionamos: uma queda de preço-alvo que ficaria entre R$ 38,00 e R$ 43,31).


  Ressaltamos, contudo, como sempre fazemos, que nosso foco não é dar dicas ou sugestões de investimentos. O que fazemos é simplesmente divulgar os resultados de nossas pesquisas. Aliás, elas são feitas com o maior rigor possível e sem nenhum tipo de conflito de interesses, dado que nosso propósito é puramente acadêmico. 

   Nosso grupo é formado pelos seguintes pesquisadores:

  • Clarissa de Souza – departamento financeiro da Safras & Cifras e acadêmica do Curso de Ciências Econômicas da UFPEL.
  • Profª Daniela Miguel Coelho – Professora e pesquisadora do Departamento de Economia e do Programa de Pós-Graduação em Organizações e Mercados da Universidade Federal de Pelotas (DECON/PPGOM/UFPEL). Doutora em Ciências Contábeis pela Unisinos.
  • Flávio de Vasconcellos Corrêa – economista e engenheiro da UFPEL. Mestrando em Economia Aplicada no PPGOM/UFPEL.
  • Isabelle Braum de Mello – acadêmica do Curso de Ciências Econômicas da UFPEL.
  • Prof. Marcelo de Oliveira Passos – Coordenador do LAFI. Professor e pesquisador do DECON/PPGOM/UFPEL. Doutor em Desenvolvimento Econômico pela UFPR. Estágio pós-doutoral em Economia Computacional no Research Unit on Complexity and Economics do ISEG/Universidade de Lisboa.



quarta-feira, 4 de março de 2026

Com a guerra no Irã, o petróleo ficou em alta e a ação PETR3 (Petrobras ON) subiu. Mas será que ela pode subir ainda mais?


Histórico da empresa, situação financeira e de mercado

A Petrobras é a maior petroleira do Brasil e uma das principais empresas de energia da América Latina. A estatal foi fundada em 1953. Desde o início desempenhou um importante papel na política energética nacional. Consolidou sua atuação na exploração e produção de petróleo e gás, com destaque para o seu foco no pré-sal — uma dos mais relevantes bacias petrolíferas do mundo.

Em relação ao seu posicionamento estratégico no Brasil, podemos destacar:

Que a Petrobras domina a exploração e produção de petróleo e gás no Brasil e tem participação relevante no refino e transporte. O pré-sal já responde por grande parte de sua produção, com baixos custos de extração e bom potencial de crescimento.

A empresa é um ator importante no mercado de combustíveis, influenciando preços internos e políticas de oferta. Isso a torna estratégica para a segurança energética do Brasil.

Já em relação à sua atuação internacional, a Petrobras compete com grandes petroleiras internacionais, especialmente no segmento de produção offshore de águas profundas. 
Apesar de menos diversificada globalmente que gigantes como ExxonMobil ou Shell, a empresa tem grande relevância em mercados emergentes e mantém produtos negociados internacionalmente.

Em termos das métricas de rentabilidade, liquidez e endividamento, nos últimos anos a Petrobras apresentou consistência nos seus resultados operacionais e financeiros:

Em 2024, a empresa registrou um lucro líquido de R$ 36,6 bilhões, com Operating Cash Flow de R$ 204 bilhões, gerando caixa robusto apesar de um cenário de preços de petróleo volátil.

Em 2023, alcançou seu segundo maior lucro histórico (R$ 124,6 bilhões), acompanhado de elevado EBITDA e fluxo de caixa operacional.

Trimestralmente, no 3T de 2025, reportou lucro líquido de R$ 32,7 bilhões e forte Operating Cash Flow.

Até fim de 2024, a empresa tinha caixa ajustado de US$ 8,1 bilhões e free cash flow de US$ 23,3 bilhões, demonstrando capacidade de operar e financiar suas atividades.

A dívida líquida caiu ao longo de 2024-25 e ficou estável em torno de cerca de US$ 59-60 bilhões no 3T 2025, com métricas como Dívida Líquida/EBITDA de cerca de 2x, indicativo de alavancagem controlada.

Margens líquidas e operacionais variaram com os ciclos de preços do petróleo, mas produziram resultados sólidos, em linha com grandes petroleiras.

A eficiência do pré-sal e a alavancagem operacional da produção offshore sustentam margens competitivas globalmente.

Estimativas de Valuation pelos nossos modelos de machine learning

Com as altas recentes da B3, PETR3 registrou valorizações expressivas. Subiu 3,86% neste mês de março; 12,10% em apenas 30 dias; 21,14% em 30 dias e 24,60% em 12 meses, considerando a data de 03/03/2026, quando atingiu o preço de R$ 44,38.

Ainda assim, esta ação continua apresentando considerável upside (potencial de lucro) e – levando em conta a margem de erro dos nossos modelos de valuation por machine learning – todos eles mostraram que PETR3 ainda está barata. Com o cenário internacional de guerra no Oriente Médio, não será surpresa se este ativo atingir rapidamente o seu valor intrínseco, calculado com base nos relatórios contábeis de 30/09/2025, os mais recentes divulgados pela petroleira.

Como mostramos na figura 1, todos os modelos de valuation que computamos evidenciam que a ação está com cotação de fechamento abaixo dos seus valores intrínsecos estimados. A maioria dos modelos mais tradicionais e utilizados pela literatura de valuation de ações apontaram valores intrínsecos acima de R$ 56,00. O nosso LAFI Model também aponta uma estimativa de preço-alvo de R$ 56,41. Apenas o influente modelo de Damodaran (1994), conhecido por ser prudente e conservador nas previsões, registrou um valor intrínseco menor de R$ 53,21 (que mesmo assim se encontra R$ 8,83 acima da cotação de fechamento de R$ 44,38, registrada em 03/03/2026).

Ao observarmos a figura 2, notamos que o citado modelo de Damodaran (1994) registrou o menor upside para PETR3, que foi estimado em 19,89%. O nosso LAFI Model estimou um upside de 27,10% e a projeção mais otimista foi a do modelo de Fernández (2004 e 2008), que registrou 44,42%. De qualquer modo, todos os modelos geraram upsides positivos. Em nossa perspectiva, o cenário de turbulência no mercado mundial de petróleo pode acelerar a valorização da ação e fazer com que ela chegue rapidamente ao seu valor intrínseco mais conservador, isto é, o papel pode chegar a exibir uma alta de 19,89%, conforme prevê o modelo de Damodaran.







Capacidade de Pagamento de Dividendos e de geração de fluxos de caixa


A Petrobras tem uma política de remuneração acionária transparente, vinculada à geração de caixa e ao controle de dívida:

Em 2024, a empresa pagou R$ 102,6 bilhões em dividendos, sendo cerca de R$ 37,9 bilhões para o governo brasileiro.

Em 2025, aprovou pagamento de R$ 12,16 bilhões em dividendos alinhados à política de distribuição de 45% do free cash flow.

No 1º trimestre de 2025, declarou cerca de US$ 2,1 bilhões em dividendos, apesar de lucros impactados por efeitos não operacionais em alguns períodos.

Portanto, a empresa tem histórico de pagamento consistente de dividendos, com rendimentos atrativos para acionistas, embora a sustentabilidade dependa da dívida e das prioridades de investimento.

A companhia tem gerado fluxos de caixa operacional robustos, o que é fruto do elevado nível de produção própria e da obtenção de expressivas receitas de exportação:

A forte geração de caixa operacional em 2023-2025 (centenas de bilhões de reais anuais) demonstra a base de geração sustentável de recursos para reinvestimento, amortização de dívida e pagamento de dividendos.

O foco em exploração de pré-sal, com baixo custo de produção e maior rendimento quando os preços internacionais sobem, reforça essa capacidade de geração de caixa ao longo do tempo.

Potencial de Valorização das Ações com a alta recente do Petróleo

O preço do petróleo é um fator-chave de valorização das ações da Petrobras (PETR3/PETR4):

Se o barril do tipo Brent subir, a rentabilidade da produção e os fluxos de caixa melhoram, favorecendo múltiplos de avaliação e potencial valorização das ações.

Conflitos geopolíticos ou tensões em regiões produtoras do Oriente Médio (por exemplo, Irã ou conflitos regionais) tendem a elevar os preços de petróleo, o que pode impulsionar o valor de ativos ligados a exploração e produção. (Contexto do mercado global — eventos geopolíticos tipicamente elevam preços do Brent e WTI, beneficiando petrolíferas integradas).

Risco de interferência política

Todavia, a empresa historicamente tem sido sujeita a pressões políticas vindas sobretudo do governo:

A operação Lava Jato revelou um grande esquema de corrupção envolvendo políticos e executivos da Petrobras, com impactos profundos na governança e confiança de investidores.

Mudanças estratégicas e políticas de preço muitas vezes estiveram associadas a decisões políticas (ex.: pressões para segurar preços de combustíveis em anos eleitorais).

Analistas e agências de risco apontam que interferência política continua sendo um dos maiores riscos para a Petrobras, afetando decisões de gestão, estratégia, política de dividendos e percepção de risco dos investidores.

Autoridades da empresa negam intervenção direta, mas o tema é constantemente debatido no mercado.

A intervenção governamental pode afetar a tomada de decisão técnica, prejudicar a confiança dos investidores e introduzir volatilidade nas ações — especialmente em períodos eleitorais ou de política de preços de combustíveis.

Histórico Recente e Perspectivas

Produção e resultados operacionais recordes em 2023-24, com foco em pré-sal.

Dívida reduzida em relação aos níveis históricos e geração de caixa sólida.

Petrobras aprovou planos de negócios 2026-2030, com foco em disciplina de capital, eficiência e equilíbrio entre investimentos, dívida e retorno ao acionista.

A empresa também busca diversificação no segmento de energia, investindo em projeto de energias renováveis e transição energética, inclusive acordos para entrar no mercado solar.

Os desafios da empresa são: (i) Manter equilíbrio entre pagamento de dividendos e reinvestimento em exploração e energia de baixo carbono; e (ii) Mitigar riscos políticos sem comprometer eficiência e governança, 

Finalmente, cabe ressaltar que o LAFI não faz recomendações de investimentos. Nesse sentido, nossas análises destinam-se apenas à divulgação de nossos resultados de pesquisa sobre mercado de ações e valuation.

Quem somos nós?

Nosso grupo é formado pelos seguintes pesquisadores:Clarissa de Souza – departamento financeiro da Safras & Cifras e acadêmica do Curso de Ciências Econômicas da UFPEL.

  • Profª Daniela Miguel Coelho – Professora e pesquisadora do Departamento de Economia e do Programa de Pós-Graduação em Organizações e Mercados da Universidade Federal de Pelotas (DECON/PPGOM/UFPEL). Doutora em Ciências Contábeis pela Unisinos.
  • Flávio de Vasconcellos Corrêa – economista e engenheiro da UFPEL. Mestrando em Economia Aplicada no PPGOM/UFPEL.
  • Isabelle Braum de Mello – acadêmica do Curso de Ciências Econômicas da UFPEL.
  • Prof. Marcelo de Oliveira Passos – Coordenador do LAFI. Professor e pesquisador do DECON/PPGOM/UFPEL. Doutor em Desenvolvimento Econômico pela UFPR. Estágio pós-doutoral em Economia Computacional no Research Unit on Complexity and Economics do ISEG/Universidade de Lisboa

Mais uma previsão acertada: antecipamos a alta das ações da WEG S.A. ON N1 (WEGE3)

Caro leitor, é com orgulho que informamos que o LAFI/UFPEL acertou novamente uma previsão feita com bastante antecedência.    No dia 12 de a...