- Rede de varejo abrangente e eficiente: forte base de clientes, extensa rede de agências e forte presença digital (bancos digitais, pagamentos, carteira de crédito).
- Diversificação de receitas: varejo, crédito imobiliário, crédito corporativo, gestão de ativos, banco de investimento, cartões.
- Serviço de varejo altamente escalável com operações de crédito e seguros integradas.
- Forte qualidade de crédito e sólida governança, com perfil conservador na gestão de risco.
- Capacidade de capital robusta e acesso a funding diversificado.
- Analisando seus riscos e desafios, encontramos:
- Competição intensa no varejo e serviços financeiros, com entrada de fintechs e bancos digitais que pressionam margens.
- Sensibilidade a ciclos de crédito no Brasil (inflação, juros, inadimplência).
- Necessidade de contínuas evoluções tecnológicas e de experiência do cliente para manter eficiência e satisfação.
- Ambiente regulatório e macroeconômico brasileiro desafiador e que pode afetar spreads, volumes de crédito e demanda por produtos.
LAFI - Laboratório de Finanças da UFPEL
Divulgação de resultados do nosso grupo de pesquisa e comentários sobre o mercados financeiros do Brasil e do Mundo, com ênfase em valuation (avaliação de empresas) e análise fundamentalista de investimentos.
quinta-feira, 12 de fevereiro de 2026
Relatório de valuation da ITUB3 - Itaú Unibanco ON N1
sexta-feira, 26 de dezembro de 2025
Nova previsão acertada: no início do mês apontamos uma potencial queda expressiva da AXIA3. E ela caiu 29,70% em apenas duas semanas..
Conforme previmos no dia 09/12/2025, isto é, há apenas 16 dias atrás, a AXIA3 estava cotada a um preço muito acima do seu valor intrínseco (ou preço-alvo).
No relatório de análise fundamentalista desta companhia, que publicamos no site do LAFI e aqui no blog em 10/12/2025, mostramos que a ação - que estava com o preço de fechamento de R$ 64,79 naquela data - tinha os seguintes preços-alvos, computados pelos nossos seis modelos de valuation por machine learning:
- Clarissa de Souza – departamento financeiro da Safras & Cifras e acadêmica do Curso de Ciências Econômicas da UFPEL.
- Profª Dra. Daniela Miguel Coelho – Professora e pesquisadora do Departamento de Economia e do Programa de Pós-Graduação em Organizações e Mercados da Universidade Federal de Pelotas (DECON/PPGOM/UFPEL). Doutora em Ciências Contábeis pela Unisinos.
- Flávio de Vasconcellos Corrêa – economista e engenheiro da UFPEL. Mestrando em Economia Aplicada no PPGOM/UFPEL.
- Guilherme Gotuzzo – acadêmico do Curso de Ciências Econômicas da UFPEL.
- Isabelle Braum de Mello – acadêmica do Curso de Ciências Econômicas da UFPEL.
- Prof. Dr. Marcelo de Oliveira Passos – Coordenador do LAFI. Professor e pesquisador do DECON/PPGOM/UFPEL. Doutor em Desenvolvimento Econômico pela UFPR. Estágio pós-doutoral em Economia Computacional no Research Unit on Complexity and Economics do ISEG/Universidade de Lisboa.
terça-feira, 9 de dezembro de 2025
Relatório de valuation da Axia3 - Axia Energia ON N1 (Antiga Eletrobras)
A Axia Energia é a antiga Eletrobras, importante estatal que foi privatizada em junho de 2022. O novo nome da empresa e o novo ticker da ação foram definidos neste ano de 2025. Porém, mesmo privatizada, a companhia permanece na posição de ser a maior do setor elétrico da América Latina. Possui participação notável tanto na geração de energia (hidroelétrica, eólica, solar e termelétrica) como na transmissão, onde responde por um market share relevante na capacidade das linhas de transmissão do país. A empresa conta com um portfólio expressivo de ativos e experiência de mais de 60 anos de atuação no setor de energia.
Recentemente, houve alguns fatos relevantes que afetaram a atuação da companhia: aquisições de usinas/ativos aprovadas pelo CADE e decisões relativas à aumentos de capital/bonificações e também voltadas ao programa de crescimento e adaptação estratégica. Foram decisões que sinalizam uma situação de reestruturação e investimento.
Posicionamento estratégico
Em relação ao posicionamento estratégico, a empresa possui os seguintes pontos fortes:
-
Escala e portfólio diversificado de geração e transmissão — isto lhe confere vantagem competitiva em leilões, contratos e capacidade de integração com projetos renováveis.
-
Reestruturação e foco em eficiência após privatização: a empresa está focada em redução de custos, venda de ativos não-estratégicos e amplicação de investimentos em linhas de transmissão e diversificação do portfolio de ativos (incluindo estudos em baterias/armazenamento), conforme seus gestores declararam recentemente à veículos de informação, como a Reuters.
Em relação aos seus riscos, podemos citar os seguintes:
-
Risco regulatório e político: na condição de ser uma empresa ex-estatal e estratégica, ela pode ser afetada por decisões políticas e regras setoriais que podem influenciar nas suas tarifas, contratações e estrutura de governança.
-
Risco hidrológico e climático: que pode impactar no potencial de geração (hidro) e preços no mercado spot; eventuais secas podem inibir a geração hídrica.
-
Risco de execução em projetos e aquisições (integração, custos) — a empresa enfrenta desafios relacionados aos seus movimentos recentes de fusões e aquisições (M&A).
Suas oportunidades mais visíveis:
-
Posição favorável para participar de leilões de transmissão e geração, bem como expandir seus recursos renováveis, ampliar prestação de serviços para data centers e inovar em projetos de armazenamento e baterias. Estes pontos foram mencionados como estratégicos pela direção da empresa.
- Rentabilidade
A margem EBITDA de cerca de 31% (TTM a set/2025) mostra que a companhia permanece com uma capacidade operacional considerável de geração de caixa antes de juros, impostos, depreciações e amortizações.
Todavia, sua condição de expansão e, ao mesmo tempo, de reestruturação, inspira cuidados antes de considerá-la como uma sustentável geradora de caixa no longo prazo. Este ponto é reforçado pela queda desta margem na comparação com períodos anteriores mais favoráveis. Isto pode ser reflexo de desafios operacionais, queda de receita ou pressões de custos.
O fato de a empresa ainda conseguir gerar EBITDA e reportar lucro (quando ajustado) sugere que, estruturalmente, há viabilidade operacional. Mas ainda pesa sobre ela a oscilação dos resultados (como ocorre em 2025), o que pode sugerir vulnerabilidade a fatores externos ou extraordinários. Nesse sentido, sugere-se monitoramento cuidadoso da consistência dos resultados.
- Endividamento e alavancagem
- Liquidez
- Clarissa de Souza – departamento financeiro da Safras & Cifras e acadêmica do Curso de Ciências Econômicas da UFPEL.
- Profª Dra. Daniela Miguel Coelho – Professora e pesquisadora do Departamento de Economia e do Programa de Pós-Graduação em Organizações e Mercados da Universidade Federal de Pelotas (DECON/PPGOM/UFPEL). Doutora em Ciências Contábeis pela Unisinos.
- Flávio de Vasconcellos Corrêa – economista e engenheiro da UFPEL. Mestrando em Economia Aplicada no PPGOM/UFPEL.
- Guilherme Gotuzzo – acadêmico do Curso de Ciências Econômicas da UFPEL.
- Isabelle Braum de Mello – acadêmica do Curso de Ciências Econômicas da UFPEL.
- Prof. Dr. Marcelo de Oliveira Passos – Coordenador do LAFI. Professor e pesquisador do DECON/PPGOM/UFPEL. Doutor em Desenvolvimento Econômico pela UFPR. Estágio pós-doutoral em Economia Computacional no Research Unit on Complexity and Economics do ISEG/Universidade de Lisboa.
quinta-feira, 2 de outubro de 2025
Exatamente como previmos: A ação ordinária da Sabesp atingiu o preço-alvo que estimamos
sexta-feira, 12 de setembro de 2025
Previsão confirmada: a TAEE3 está no seu valor intrínseco desde 09/07/2025
Na postagem do dia 09/07/2025, elaborei um relatório da TAEE3 ou Taesa ON N2. Ela é uma das maiores empresas transmissoras de energia do país e muito reconhecida como boa pagadora de dividendos.
Neste relatório apontei que os resultados dos seis modelos de valuation por machine learning que venho rodando e divulgando aqui no blog geraram valores muito próximos, sinalizando que esta ação havia atingido o seu preço justo ou valor intrínseco, considerando as margens de erro de 2% para cima ou para baixo.
Republico aqui o gráfico com os valores intrínsecos estimados pelos seis modelos e a cotação da ação em 08/07/2025:
Pois bem, lá se vão 2 meses, aproximadamente. E os resultados mostram que nossas previsões foram certeiras.
O gráfico abaixo, com as cotações de TAEE3 de 04/07/2025 a 11/09/2025 mostra que a análise foi correta, pois a ação atingiu a máxima de R$ 11,62, em 11/09/2025 e registrou uma mínima de R$ 10,76, em 04/08/2025.
Trata-se de uma lateralização, também chamada de movimento lateral ou consolidação. Ela ocorre quando o preço de um ativo oscila dentro de uma faixa sem apresentar uma tendência clara de alta ou baixa. Durante um período, o preço se move entre dois níveis-chave: suporte (piso) e resistência (teto), para formar um canal horizontal.
terça-feira, 12 de agosto de 2025
Relatório de valuation da WEG ON N1 (WEGE3)
Este relatório de valuation é, na verdade, uma breve análise fundamentalista da WEG (WEGE3), com base nos últimos resultados disponíveis e em rankings recentes.
1) Análise financeira (2T25 / 1S25)
1.a) Receita e margens:
Receita líquida no trimestre 2T25: R$ 10,21 bilhões (+10,1% ao ano). EBITDA 2T25: R$ 2,26 bilhões (margem de 22,1%). Lucro líquido 2T25: R$ 1,59 bilhões (margem de 15,6%).
Acumulado no primeiro semestre 1S25: EBITDA (Lucros antes de Juros, Impostos, Depreciação e Amortização) de R$ 4,43 bilhões (margem 21,9%); lucro líquido R$ 3,14 bilhões (margem 15,5%).
1.b) Liquidez
Caixa e equivalentes: R$ 5,69 bilhões (jun/25). Aplicações financeiras de longo prazo: R$ 725 milhões.
Passivo circulante: R$ 14,26 bilhões; ativo circulante: R$ 25,30 bi ⇒ Liquidez corrente de cerca de 1,77x.
Liquidez seca: (ativo circulante – estoques) / passivo circulante: cerca de 1,07x. (Cálculos a partir do balanço do 2T25.)
1.c) Endividamento
Dívida bruta (curto + longo prazos): R$ 2,58 bilhões (ex-arrendamentos). Caixa supera dívida ⇒ posição de caixa líquido de R$ 3,1 bilhões (ou R$ 3,8 bilhões, quando se incluem as aplicações). Endividamento líquido/EBITDA: negativo (empresa desalavancada).
1.d) Rentabilidade
Margem EBITDA (Lucros antes de Juros, Impostos, Depreciação e Amortização) em 2T25: 22,1%; margem líquida 2T25: 15,6% (ambas historicamente elevadas para o setor de bens de capital).
A WEG possui um ROIC (retorno sobre o capital investido) elevado em seus produtos fabricados. A empresa sempre investiu fortemente em tecnologia e qualidade e demonstra ter alta eficiência operacional.
1.d) Investimentos (realizados e programados)
Continuidade do CAPEX em modernização e expansão de capacidade no Brasil e no México reportada em 1T/2T25.
Fábrica do México: previsão de expansão/inauguração de planta de Automação (aproximadamente 4,9 mil m²), para aumentar eficiência e atender demanda local; investimentos reportados na mídia e pela empresa.
Ciclo de transformadores: plano de investimento de R$ 1,2 bilhões (Brasil, México e Colômbia) para dobrar a capacidade global ao final do ciclo.
Fábrica em Linhares (ES, Brasil): projeto recente de R$ 160 milhões para verticalização/expansão (fabricação de fios e novo prédio industrial).
Reportagens setoriais mencionam um volume de invesimentos previstos de cerca de R$ 670 milhões em 5 anos (Brasil e México) para motores/transformadores.
2) Posicionamento de mercado
2.1) Escala global
Operações/vendas em >135 países; fábricas em 18 países; mais de 47 mil colaboradores.
2.2) Liderança e inovação
Top 10 do Valor Inovação Brasil 2024 (8º geral e 1º no setor eletroeletrônico).
1º lugar no Prêmio Broadcast Empresas (geração de valor ao acionista) em 2023.
2.3) Ranking nas “maiores do país” e valor de mercado
Valor 1000 (2024): WEG aparece entre as 1000 maiores; a publicação aponta a empresa na 40ª posição geral no ranking de 2024 em SC.
Exame – Melhores & Maiores 2024: destaque do setor de Bens de Capital.
B3 (valor de mercado): em jan/2025, WEG chegou ao 3º maior valor de mercado da B3, superando a Vale naquele momento.
2.4) Mercado
Motores elétricos, automação e T&D inseridos em mercados globais de motores e motores de baixa tensão com crescimento robusto nesta década (taxa de crescimento anual composta ou CAGR de aproximadamente 7%, a depender da fonte consultada).
2.5) Forças e ameaças.
2.5.a) Principais forças: Balanço sólido (caixa líquido, baixa alavancagem) e forte geração de caixa.
Diversificação geográfica e de portfólio (motores, automação, energia, T&D - treinamento e desenvolvimento, revestimentos) e presença global.
Eficiência operacional e histórico de ROIC/margens elevados; disciplina em CAPEX (despesas em formação de capital) e M&A (fusões e aquisições).
Inovação contínua e liderança setorial reconhecida (Valor Inovação).
2.5.b) Principais ameaças: Ciclo industrial global e capex de clientes: desacelerações podem afetar pedidos; a própria companhia reconheceu incertezas macro/geopolíticas em 2025.
Concorrência internacional (ABB, Siemens, Nidec etc.) em automação/motores, exigindo inovação constante e competitividade. (Contexto de mercado.)
Custo de insumos (ex.: cobre) e câmbio, que podem pressionar margens e capital de giro em ciclos adversos. (Risco típico do setor; inferência setorial suportada por relatórios de mercado.)
Risco regulatório/comercial (barreiras, conteúdo local, trade). (Risco setorial geral.)
3) Análise de valuation por machine learning
Computamos os valores intrínsecos desta ação com base em estimativas de seis modelos de valuation por machine learning (ML). Cinco deles são amplamente reportados na literatura sobre valuation. O sexto modelo foi desenvolvido por mim. Eu também codifiquei os outros cinco e os transformei em algoritmos de ML .
Os modelos rodados com os dados da WEG (dados dos últimos 60 demonstrativos trimestrais) foram: Myers (1974), Miles & Ezzell (1980), HPR - Harris & Pringle (1985) e Ruback (1995), Damodaran (1994), Fernández (2004 e 2008) e Passos (2025).
É importante mencionar que o objetivo do blog é apenas fazer divulgação científica. Assim, estes resultados estimados não devem ser considerados como recomendações de investimentos. Não devem ser considerados, de modo algum, como "dicas" de investimento.
Os preços-alvos da ação WEGE3, conforme as estimativas dos modelos citados, foram os que estão no gráfico a seguir. A partir dele, temos que os valores mais conservadores foram o do modelo de Damodaran (R$ 46,61) e o do modelo de Passos (R$ 46,64).
Estas estimativas podem ser traduzidas como sendo um lucro potencial (upside) de R$ 10,00 por ação, pelo modelo de Damodaran e de R$ 10,03 pelo modelo de Passos. Todavia, em termos práticos, estes valores são estatisticamente iguais, pois há uma margem de erro de 2 pontos porcentuais para cima ou para baixo.
Estes preços-alvos equivalem, de acordo com o segundo gráfico, a um upside (potencial de alta) de 27,33%, de acordo com o modelo de Damodaran, e de 27,41%, pelo modelo de Passos. Os demais modelos foram um pouco mais otimistas, mas também geraram estimativas idênticas, considerando a margem de erro.
Finalmente, convém ressaltar que as ações da WEG sofreram quedas recentes em razão das incertezas geradas pelos anúncios de tarifas impostas ao Brasil por Donald Trump. E que a cotação máxima de WEGE3, nas últimas 52 semanas, foi R$ 57,65, um nível acima, portanto, das estimativas geradas por estes modelos de valuation.
Isto reforça, de certa maneira, que este ativo se encontra em baixa e, em razão de seus fundamentos, é possível esperar uma alta futura.
segunda-feira, 11 de agosto de 2025
Trechos da entrevista do Marcos Lisboa ao Estadão
Para o economista, a política adotada por Trump vai reduzir a produtividade dos EUA; ele diz também que impacto do tarifaço sobre o Brasil será ‘pior do que as pessoas estão imaginando’.
Outros países foram negociar. O Brasil tem uma dificuldade, porque, há décadas, é um país que adota práticas semelhantes às que o governo americano está propondo hoje. O Brasil não quis fazer acordo com os Estados Unidos há 25 anos, se recusou a completar o Mercosul e adota uma série de políticas protecionistas tarifárias e não tarifárias. É um dos países mais fechados ao comércio internacional e que adotou várias políticas ilegais. Vamos lembrar do Inovar Auto. A gente não tem muito lugar de fala nessa história.
Entrevista com
Marcos Lisboa - sócio-diretor da Gibraltar Consulting. Foi secretário de Política Econômica no Lula1 e presidente do Insper.
O economista Marcos Lisboa avalia que o impacto do tarifaço do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sobre as exportações do Brasil será “pior do que as pessoas estão imaginando”. “Desorganiza algumas cadeias produtivas”, afirma.
Ex-secretário de Política Econômica, Lisboa diz que as políticas de Trump se assemelham às do Brasil — que mantém uma economia fechada — e aponta que o governo brasileiro não deveria adotar nenhum pacote de socorro aos setores da iniciativa privada afetados pelo tarifaço.
“No Brasil, o setor privado é muito curioso. Quando eles estão pressionados, pedem ajuda do governo. E quando passa a pressão, não querem pagar imposto. Foi assim com o Perse, foi assim na covid. Acho que a regra do Brasil deveria ser não ajudar o setor privado”, afirma Lisboa, sócio-diretor da Gibraltar Consulting.
Qual será o impacto do tarifaço dos Estados Unidos?
Acho que é pior do que as pessoas estão imaginando, porque desorganiza algumas cadeias produtivas no Brasil. E vai ser igualmente prejudicial para os Estados Unidos. O Brasil optou no passado por ser uma economia fechada. No nosso caso, construir pontes de superação desse problema vai ser mais difícil.
E quais caminhos o governo brasileiro pode adotar?
O primeiro passo é o Brasil ser uma economia aberta. O Brasil quer negociar com os países ou prefere ficar refém desse tipo de ameaça? A nossa opção por ser uma economia fechada torna a gente mais refém desse tipo de retaliação.
O presidente Lula deveria ligar para o Trump?
Não vou entrar nisso. Isso é coisa para diplomata.
Economia americana vai pagar um preço elevado. Ela vai perder produtividade. Vai deixar de ter engenheiro na costa Oeste fazendo software para montar geladeira e televisão.
E quais as consequências para a economia dos Estados Unidos com o tarifaço global?
A economia americana vai pagar um preço elevado. Ela vai perder produtividade. Vai deixar de ter engenheiro na costa Oeste fazendo software para montar geladeira e televisão. É uma perda de produtividade grande que a economia americana vai sofrer por adotar essas práticas mercantilistas semelhantes às que a Cepal (Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe) defendeu durante décadas e que o Brasil adotou.
Os EUA estão virando o Brasil, então?
Os Estados Unidos estão copiando o Brasil. É inacreditável.
E quando fica evidente essa perda de produtividade dos EUA e os impactos na economia?
Isso demora, isso toma tempo. É um processo lento de você tirar investimento de setores produtivos e levar para setores deficientes. Olha o caso do Brexit. Quanto tempo demorou para começar a aparecer nos dados que a Inglaterra ficou mais pobre depois da saída da Comunidade Europeia? Isso tem quase uma década.
Mas como o sr. vê a negociação do governo brasileiro?
Outros países negociaram diferente do Brasil. O Brasil optou por uma agenda mais de defesa de posições. Outros países foram negociar. O Brasil tem uma dificuldade, porque, há décadas, é um país que adota práticas semelhantes às que o governo americano está propondo hoje. O Brasil não quis fazer acordo com os Estados Unidos há 25 anos, se recusou a completar o Mercosul e adota uma série de políticas protecionistas tarifárias e não tarifárias. É um dos países mais fechados ao comércio internacional e que adotou várias políticas ilegais. Vamos lembrar do Inovar Auto. A gente não tem muito lugar de fala nessa história. Se alguém quiser pegar um país como exemplo de práticas anticomércio internacional assemelhadas às que o governo Trump faz, é só olhar para o caso brasileiro.
No Brasil, o setor privado é muito curioso. Quando eles estão pressionados, pedem ajuda do governo. E quando passa a pressão, não querem pagar.
Que tipo de pacote o governo deveria apresentar aos setores prejudicados?
Nenhum pacote. No Brasil, o setor privado é muito curioso. Quando eles estão pressionados, pedem ajuda do governo. E quando passa a pressão, não querem pagar imposto. Foi assim com o Perse (Programa Emergencial de Retomada do Setor de Eventos), foi assim na covid. Acho que a regra do Brasil deveria ser não ajudar o setor privado. Eles são ótimos para pedir ajuda governamental e são péssimos para pagar tributos.
Corremos o risco de ver a indústria ou alguns setores saindo dessa confusão toda mais protegidos?
Acaba ficando. Como ficou o Perse, a desoneração da folha.
E, de forma geral, como avalia o atual momento da economia brasileira?
Vejo com preocupação. Vejo como via o Brasil de 2013. É uma economia que desacelera. Os sinais de problemas contratados são grandes. Isso ainda não aparece nos indicadores macroeconômicos, mas os sinais estão aí.
É um cenário parecido com uma crise tão severa como a do segundo governo Dilma?
O setor privado, por exemplo, não está tão alavancado como no passado.
O setor privado está menos alavancado do que estava lá atrás. O governo se endividou menos do que no caso da Dilma e se comprometeu menos com subsídios. Agora, a trajetória é parecida.
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