As ações ITUB3 e ITUB4 sempre figuram entre as mais negociadas e líquidas da B3, junto com outras como PETR4 e demais ações de grandes bancos como Bradesco, Banco do Brasil e Santander Brasil.
O Itaú Unibanco é, há vários anos, um dos maiores bancos do Brasil em termos de ativos, lucros e valor de mercado. Considerando seus ativos totais, ele é com frequência colocado no topo entre bancos privados, competindo pela posição de maior banco privado com Bradesco. O Itaú também se posiciona entre os três maiores bancos do Brasil quando se considera indicadores como rentabilidade (ROE e margem de contribuição), carteira de crédito, distribuição geográfica (capilaridade das agências) e presença internacional.
Seu posicionamento estratégico no mercado brasileiro é privilegiado, tendo vantagens competitivas como:
- Rede de varejo abrangente e eficiente: forte base de clientes, extensa rede de agências e forte presença digital (bancos digitais, pagamentos, carteira de crédito).
- Diversificação de receitas: varejo, crédito imobiliário, crédito corporativo, gestão de ativos, banco de investimento, cartões.
- Serviço de varejo altamente escalável com operações de crédito e seguros integradas.
- Forte qualidade de crédito e sólida governança, com perfil conservador na gestão de risco.
- Capacidade de capital robusta e acesso a funding diversificado.
- Analisando seus riscos e desafios, encontramos:
- Competição intensa no varejo e serviços financeiros, com entrada de fintechs e bancos digitais que pressionam margens.
- Sensibilidade a ciclos de crédito no Brasil (inflação, juros, inadimplência).
- Necessidade de contínuas evoluções tecnológicas e de experiência do cliente para manter eficiência e satisfação.
- Ambiente regulatório e macroeconômico brasileiro desafiador e que pode afetar spreads, volumes de crédito e demanda por produtos.
O Itaú tende a manter uma posição dominante entre os bancos privados, com destaque para sua rede de atendimento, escala de operações e capacidade de cross-sell entre varejo e clientes corporativos. A estratégia da instituição tem sido fortalecer plataformas digitais, ampliar serviços de pagamento, aprofundar a atuação em investimentos e asset management e também manter solidez na concessão de crédito e aumentar a eficiência na gestão de custos
O banco divulgou no dia 4 de fevereiro seus dados referentes aos quatro trimestres de 2025 e os dados anuais. Exibiu um lucro recorrente gerencial de R$ 12,3 bilhões no quarto trimestre de 2025 (4T25). Uma alta de 13,2% em relação aos R$ 10,884 bilhões obtidos em igual período de 2024.
Os resultados atenderam às projeções do mercado, que esperava, segundo mediana de compilação feita por analistas consultados pela Reuters, um lucro de R$ 12,3 bilhões.
Com as altas recentes da B3, ITUB3 registrou altas expressivas. Subiu 88,08% em 12 meses, 21,14% em 30 dias e 7,11% no mês, considerando a data de 12/02/2026, quando atingiu R$ 44,92.
Assim sendo, esta ação deixou de ter upside (potencial de lucro) e - considerando a margem de erro dos nossos modelos de valuation por machine learning - ela passou a registrar downside (potencial de queda). Transformou-se, portanto, em uma ação relativamente cara, tendo em vista que nossa análise foi feita com os demonstrativos contábeis mais recentes, fechados em 31/12/2025 e divulgados, como dissemos, no último dia 04/02.
Como mostra o primeiro gráfico, todos os modelos de valuation que computamos evidenciam que a ação está com cotação de fechamento acima do seu valor intrínseco. Todos os modelos mais tradicionais e utilizados pela literatura de valuation de ações apontaram valores intrínsecos em torno de R$ 38,00. Somente o nosso modelo exclusivo, o LAFI Model, apontou um valor mais otimista de R$ 43,31, ficando um pouco abaixo da cotação de fechamento de R$ 45,60.
Trata-se, portanto, de um resultado natural, diante da expressiva valorização de ITUB3.
Não é nada fácil estimar com rigor analítico valores intrínsecos de bancos, dado que estas instituições não possuem fluxos de caixa e os modelos de valuation baseiam-se em técnicas de fluxo de caixas descontados. Nesse sentido, acreditamos que estas estimativas possam ser úteis para a tomada de decisões de gestores, investidores pessoas físicas e investidores institucionais.
Finalmente, salientamos que o LAFI não faz recomendações de investimentos e que não temos vinculação com nenhuma empresa ou instituição financeira. Somos um grupo de pesquisa em valuation e finanças e nosso único propósito é produzir e divulgar estimativas elaboradas com alto nível de rigor analítico e contribuir para a tomada de decisões dos participantes do mercado de ações.
Nosso grupo é formado pelos seguintes pesquisadores:
- Clarissa de Souza – departamento financeiro da Safras & Cifras e acadêmica do Curso de Ciências Econômicas da UFPEL.
- Profª Dra. Daniela Miguel Coelho – Professora e pesquisadora do Departamento de Economia e do Programa de Pós-Graduação em Organizações e Mercados da Universidade Federal de Pelotas (DECON/PPGOM/UFPEL). Doutora em Ciências Contábeis pela Unisinos.
- Flávio de Vasconcellos Corrêa – economista e engenheiro da UFPEL. Mestrando em Economia Aplicada no PPGOM/UFPEL.
- Guilherme Gotuzzo – acadêmico do Curso de Ciências Econômicas da UFPEL.
- Isabelle Braum de Mello – acadêmica do Curso de Ciências Econômicas da UFPEL.
- Prof. Dr. Marcelo de Oliveira Passos – Coordenador do LAFI. Professor e pesquisador do DECON/PPGOM/UFPEL. Doutor em Desenvolvimento Econômico pela UFPR. Estágio pós-doutoral em Economia Computacional no Research Unit on Complexity and Economics do ISEG/Universidade de Lisboa.